Carlos Braga pode surgir como coringa de Raquel Lyra na disputa proporcional de 2026

Mário Flávio - 04.06.2026 às 07:33h

Enquanto os principais debates da sucessão estadual se concentram na corrida pelo Governo de Pernambuco e pelas vagas ao Senado, os bastidores do PSD também movimentam as articulações para a formação das chapas proporcionais. Um dos nomes que pode ganhar protagonismo nesse processo é o do ex-secretário de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas de Pernambuco, Carlos Braga.

Filiado ao PSD, mesmo partido da governadora Raquel Lyra, Braga aguarda a definição da estratégia eleitoral do grupo para saber se disputará uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A decisão deverá passar diretamente pelo núcleo político da governadora, que trabalha a montagem de uma chapa competitiva tanto para a eleição estadual quanto para a federal.

Carlos Braga já testou seu nome nas urnas em 2022, quando concorreu ao cargo de deputado estadual e obteve pouco mais de quatro mil votos. Apesar da votação discreta, ganhou espaço na gestão estadual após a vitória de Raquel Lyra, assumindo uma das áreas mais sensíveis do governo: a política de assistência social e combate à pobreza.

Ao longo dos últimos anos, a pasta passou a executar programas estruturantes voltados para a população em situação de vulnerabilidade, com destaque para o programa Mães de Pernambuco, uma das principais vitrines sociais da atual administração estadual.

Os resultados dessas políticas ganharam força nesta semana com a divulgação de um estudo do Instituto de Gestão Pública de Pernambuco (IGPE), elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento aponta que Pernambuco registrou uma redução de 41% na extrema pobreza entre 2022 e 2025. No período, 626.148 pernambucanos deixaram essa condição, levando o Estado ao menor percentual da série histórica iniciada em 2012.

Segundo o estudo, em 2022, considerando o critério atualizado do Banco Mundial, que estabelece a linha internacional de extrema pobreza em US$ 3 por pessoa ao dia, Pernambuco tinha 1.521.944 pessoas nessa situação, o equivalente a 16,1% da população. Em 2025, esse número caiu para 895.796 pessoas, representando 9,4% dos habitantes do Estado.

O dado chama atenção porque a redução ocorreu mesmo após a atualização dos critérios internacionais, que ampliaram o universo de pessoas enquadradas na extrema pobreza. Ainda assim, Pernambuco manteve uma trajetória consistente de queda no indicador.

Entre os fatores apontados para esse resultado estão o crescimento econômico acima da média nacional, a redução do desemprego, o aumento da renda da população e programas sociais implementados pelo Governo do Estado. O Mães de Pernambuco, por exemplo, já acumula investimentos de R$ 717,6 milhões desde sua criação e beneficia mais de 146 mil famílias.

Nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas, o desempenho dos indicadores sociais fortalece o discurso da gestão e pode se transformar em ativo eleitoral para nomes ligados diretamente à execução dessas políticas. Nesse cenário, Carlos Braga desponta como uma peça que pode ser utilizada pela governadora em diferentes posições na chapa do PSD.

Seja na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal, o ex-secretário chega ao período pré-eleitoral com um argumento que poucos candidatos poderão apresentar: a associação direta a uma das áreas em que o governo Raquel Lyra tem buscado construir sua principal vitrine administrativa, a redução da pobreza e da extrema pobreza em Pernambuco.

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