15 de fevereiro de 2021 às 08h53min - Por Mário Flávio


O cardápio eleitoral que as oposições estão preparando para as eleições de 2022 está deixando Jair Bolsonaro com água na boca. A oposição de esquerda já apresentou três pratos requentados e sequer teve o discernimento de apresentar uma nova receita para o Brasil. 

Como político, ex-parlamentar e cidadão, tenho grande respeito por Fernando Hadad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), entretanto considero que eles, como lideranças nacionais, estão priorizando projetos partidários em detrimento do futuro do país. É a velha teoria do umbigo ou, como dizemos no Nordeste, repetindo o ditado popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro” . 

É inacreditável que, até pela experiência política que possuem, não compreendam que ‘a esquerda dividida e sem uma proposta de gestão para o país não vai chegar a lugar algum’. Aliás, eles não vão chegar a lugar nenhum, ressalto. 

A oposição de centro-direita está cozinhando direitinho para o Messias, o Jair Bolsonaro. O João Dória (SP), ex-futuro candidato a presidente pelo PSDB, engoliu a corda de Bolsonaro e se enforcou. Suicidou-se. Ainda bem, entendo assim. Pois, duvido que um político com o perfil do governador de São Paulo consiga sensibilizar os menos favorecidos do Brasil. Dória sabe que não consegue passar em qualquer pesquisa qualitativa de candidatos.

Além do mais, o PSDB nunca aprendeu a conversar com o Norte e o Nordeste, permanece um partido decadente do Sudeste que terá dificuldade de voltar a eleger um presidente da República. 

Reconheço que a oposição de centro-direita tem no seu cardápio pratos novos, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – que é tucano fora das asas de Dória e Aécio Neves -, um dos melhores quadros do Brasil, o ex-ministro Henrique Mandetta (DEM), uma grande revelação da política brasileira, e o apresentador de TV, Luciano Huck, que semanalmente entra na casa de milhões de brasileiros e brasileiras. 

Não conheço Huck, mas tenho informações de que ele sabe o que diz. Não descarto o senador Rodrigo Pacheco (DEM) – atual presidente do Congresso, político sério e preparado -, que por ser das Minas Gerais teria uma largada eleitoral fortíssima. Não levo a sério a pseudo-candidatura do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, até porque uma parcela da população gosta de ouvir “estórias de traição”, mas não gosta do traidor. Moro, hoje, é repelido pela esquerda, pela direita ideológica e não é nenhuma unanimidade na centro-direita.

As oposições brasileiras precisam voltar à sala de aula e, mais uma vez, estudar matemática e filosofia, ciências que têm tudo a ver com a política. Necessitam entender que esse movimento autofágico é uma conta de dividir, e mais do que nunca o Brasil precisa somar. É preciso que a oposição de esquerda compreenda que não basta ter cheiro de povo, tem que ter também cheiro de mercado; e a oposição de direita entenda o contrário, que não basta ter cheiro de mercado, precisa também ter cheiro de povo. 

O presidente Jair Bolsonaro sabe que, mesmo com a eventual candidatura do general Hamilton Mourão, seu atual vice, que vai lhe tirar votos mais à direita, ele estará no segundo turno. E sabe que a direita se une muito mais rápido e fácil que a esquerda. Bolsonaro sabe, ainda, que as esquerdas não se reciclaram e dificilmente terão discurso para ganhar a eleição de 2022. Ele está consciente de que, se conseguir dividir a oposição de centro-direita, terá o melhor dos mundos. No segundo turno seria o dualismo esquerda x direita. 

Considero que, se a oposição de centro-direita tiver juízo e pensar no Brasil, deixando de lado os projetos partidários e pessoais e lançando um candidato único, terá reais condições de ir ao segundo turno, podendo cozinhar um prato indigesto para Jair Bolsonaro.

*Ex-deputado federal


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro