Os dois principais líderes da Federação União Progressista em Pernambuco, Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União Brasil), acenderam o cachimbo da paz nesta quarta-feira (12) e colocaram um ponto final na disputa de bastidores que, nos últimos meses, provocou forte tensão dentro da base da governadora Raquel Lyra (PSD). O entendimento entre os dois teve como principal foco a composição das chapas para o Senado.
Como parte do acordo, Miguel Coelho passou a apoiar a candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado e indicou o primeiro suplente da chapa: o empresário Carlos de Andrade Lima, integrante de seu grupo político e filiado ao União Brasil. Miguel, que já havia declarado apoio a Mendonça Filho (PL), agora completa sua composição para o Senado com o apoio a Eduardo da Fonte.
O entendimento começou a ser exposto ainda pela manhã. O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus (PDT), aliado de Miguel Coelho e eleitor declarado de João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco, anunciou apoio a Eduardo da Fonte para o Senado. No início da tarde, foi a vez da prefeita de Floresta, Rorró Maniçoba, que apoiava Eduardo para deputado federal, declarar seu voto em Miguel Coelho, que agora disputa uma vaga na Câmara Federal.
À noite, o acordo foi formalizado politicamente no Palácio do Campo das Princesas, onde Raquel Lyra recebeu Eduardo da Fonte e Miguel Coelho para tratar da homologação do entendimento envolvendo a suplência. O encontro representou o desfecho de uma das principais disputas internas da aliança governista durante a pré-campanha.
Antes de pacificar a relação entre os dois líderes da federação, porém, a governadora precisou administrar outro foco de tensão: a situação do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), que chegou a ameaçar desistir da candidatura ao Senado diante das mudanças no cenário eleitoral das últimas semanas.
A entrada de Mendonça Filho como quinto nome na corrida pelo Senado aumentou a pressão sobre a composição governista. Embora não conte com o apoio oficial de Raquel Lyra, Mendonça mantém voto declarado na governadora para o Palácio do Campo das Princesas, tornando ainda mais complexa a disputa pelas duas vagas ao Senado.
Túlio vinha demonstrando preocupação com as dificuldades para consolidar sua candidatura e, segundo aliados, chegou a avaliar o retorno à disputa por uma cadeira na Câmara Federal. Para fortalecer sua candidatura, Raquel Lyra teria telefonado para mais de 50 prefeitos da sua base, pedindo manifestações públicas de apoio ao deputado nas redes sociais.
O cenário, entretanto, se complicou com o movimento de prefeitos ligados à base raquelista em favor do senador Humberto Costa (PT), após articulação do senador Fernando Dueire. Sem conseguir reunir uma estrutura eleitoral considerada suficiente para a disputa, Túlio passou a enfrentar pressão dentro do próprio grupo.
A possibilidade de desistência foi contida após uma longa conversa com a governadora. Túlio permaneceu na disputa pelo Senado, mas ainda não anunciou os nomes que irão ocupar as duas suplências de sua chapa.
Com os acordos desta quarta-feira, Raquel Lyra conseguiu reduzir dois dos principais focos de tensão que vinham afetando sua aliança: a disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho pela composição do Senado e a ameaça de desistência de Túlio Gadêlha. A partir de agora, o desafio da base governista passa a ser transformar os entendimentos políticos em votos nas urnas.

