9 de março de 2016 às 19h00min - Por Mário Flávio

A cultura pernambucana amanheceu de luto. A morte do percussionista Naná Vasconcelos deixa uma lacuna que dificilmente será preenchida. Para fazer uma homenagem ao mestre, a gente relembra o ano de 2012, quando ele esteve em Caruaru para conhecer a exposição “Baixio dos Doidos”. A reportagem é de Johnny Pequeno. Vale a pena ler…

Baixio dos doidos: Luiz Gonzaga do Pop e do mundo no São João de Caruaru

Quando a equipe do blog encontrou os músicos Naná Vasconcelos e Rhaissa Bittar, nessa quarta (20), já eram por volta das 18h e eles estavam em um Happy Hour no Café na Estação, na Estação Ferroviária de Caruaru. Pouco tempo antes, eles e uma equipe de produção foram conhecer de perto, na Vila do Forró, a estrutura de Baixio dos Doidos, exposição da qual participaram e que aborda a universalidade da obra de Luiz Gonzaga, numa perspectiva sensorial de oito de suas canções: ABC do Sertão, Respeita Januário, Siri Jogando Bola, Xote das Meninas, Paraíba, Samarica Parteira, Asa Branca A Morte do Vaqueiro. Acompanhados pelo diretor musical do projeto, Carlinhos Borges, tanto Naná quanto Rhaissa concordaram: a exposição traz uma visão multicultural de Gonzagão.

No contexto

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Rhaissa, vinda do Sudeste e com mente aberta para diferentes gêneros musicais, deu uma nova roupagem a Xote das Meninas, transformando a canção praticamente em uma valsa. Para ela, foi a oportunidade de conhecer, de fato, o universo do Rei do Baião. “Nosso diretor musical, Carlinhos, conseguiu trazer essa perspectiva multicultural na produção de Xote das Meninas. Essa música tem uma essência de menina e conseguimos dar a essa versão um toque de docilidade e apresentamos a canção de uma forma que vai além do forró”. Na verdade, ela disse que cantava essa música desde criança. “Eu tenho intimidade com essa música, mas minha relação com o forró e com a cultura nordestina é muito recente, eu não conhecia a música de dançar e, assim… Lá em São Paulo há São João, mas aqui a gente percebe que faz parte das raízes culturais, faz mais sentido”, salientou.

Rhaissa diz que Xote das Meninas abriu sua mente para Luiz Gonzaga - Crédito: Paulo Roberto Filho

Naná Vasconcelos, reconhecido percussionista, não escondeu o encantamento com a musicalidade improvisada e onomatopéica de Luiz. “Quando me convidaram para participar desse projeto, por um lado já havia meu trabalho pessoal, relacionado a essa produção de sons onomatopéicos. No entanto, no caso de Gonzaga, é delicado, em suas músicas, sempre parecia que ele improvisava com os sons que produzia durante as canções, que era algo único. Então, é preciso cuidado para não invadir o território criativo do artista e fazer uma produção que seja apenas uma colagem das músicas de Gonzaga”, esclareceu.

Na verdade, Naná já havia se encontrado com Gonzaga em outras ocasiões, incluindo uma participação em uma edição do Fantástico, da Globo. Na opinião dele, a música de Luiz vem do sertão, mas é universal. “Um músico que escute e se inspire em Luiz Gonzaga e Beattles, na minha opinião, já está formado”, garantiu.

A participação de Naná no projeto foi produzir uma versão para a música Samarica Parteira. Quem o dirigiu, assim como a Rhaissa Bittar e os demais participantes da exposição, foi Carlinhos Borges, que explicou a proposta do Baixio dos Doidos. “A ideia era mostrar o Gonzaga universal em vários dos elementos dos quais ele tratava em suas músicas, como a cultura nordestina. Mas, ele conseguia reunir gente de regiões diferentes, de conhecimentos musicais distintos em torno da sua música. Então com esta exposição, o foco foi mostra o Luiz Gonzaga do Pop. E aí a gente tem como exemplo, Arnaldo Antunes interpretando o ABC do Sertão, falando das gírias daqui de uma forma diferenciada, ou com Respeita Januário, na qual Gizavo, vindo de Madagascar, se emocionou tanto com a música que ao invés de enviar apenas um solo instrumental, decidiu traduzir e regravar por conta própria em dialeto africano a letra”, explicou.

Baixio dos Doidos está em exposição na Vila do Forró desde o dia 15 de junho e ficará em amostra até 15 de julho. O projeto é promovido pela Aliança Comunicação, com patrocínio do Sesi. O espaço tem entrada gratuita e está aberto ao público de segunda à quinta, das 18h às 23h, e da sexta a domingo, das 15h às 23h.

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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro