19 de fevereiro de 2013 às 16h18min - Por Mário Flávio

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A edição da Veja desta semana traz com exclusividade a matéria “O dossiê da vergonha”, que trata de eventual conspiração contra a dissidente cubana Yoani Sánchez. Segundo a revista, o governo de Raúl Castro e militantes ligados ao PT, PCdoB e Central Única dos Trabalhadores (CUT) planejariam espionar os passos da blogueira durante sua visita ao país. A matéria também cita o envolvimento de um assessor do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

“Quando o mundo indignado assiste ao longo de décadas o povo Cubano vivendo numa ditadura familiar, a blogueira Yoani Sánchez é uma das poucas vozes a levar ao mundo as atrocidades da ilha. Numa visita ao Brasil, sob pressão e acompanhamento do PT, assistimos estudantes e sindicalistas que vivem custeados com dinheiro público, armar hostilidades a uma cubana que defende o melhor dos sistemas, a democracia”, afirma o deputado federal Augusto Coutinho (DEM-PE).

A ativista política foi recebida com protesto por um grupo de cerca de 20 pessoas no aeroporto internacional de Recife, na madrugada da última segunda-feira (18). A visita é a primeira de uma série viagens que começa pelo Brasil e a levará também a República Tcheca, Espanha, México, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Peru entre outros. Nos últimos cinco anos, Yoani havia recebido mais de 20 recusas para poder viajar ao exterior. A reportagem da revista Veja revela que no dia último dia 6, ativistas foram chamados pela Embaixada de Cuba em Brasília para uma reunião com o embaixador Carlos Zamora Rodríguez. O encontro teria intrigado os convidados pela ausência de protocolos oficiais. “Os participantes foram convocados de última hora, por telefone, e orientados a não dizer os nomes, mas apenas as entidades e os partidos que representavam, durante a reunião”. De acordo com o texto, o embaixador explicou que a reunião foi marcada para ajudar o regime cubano a “colocar nas ruas uma ofensiva de ‘contrainformação’ para ‘desmascarar’ Yoani Sánchez”, classificada como uma mercenária a serviço dos Estados Unidos. Rodríguez disse que a ação precisava ser rápida e que seria bem-sucedida se tivesse o apoio das redes e de jornalistas e blogueiros “amigos do regime”.

Veja afirma que os presentes receberam um CD, “com capa diferente, provavelmente para identificar um eventual vazamento”. Tratava-se de um dossiê com informações que contribuiriam para a campanha contra a blogueira cubana. A matéria cita que, incomodados por não poderem divulgar a origem das acusações contra Yoani, “alguns militantes preferiram abandonar a reunião ainda no começo”. A publicação da Editora Abril revela que o dossiê tem 235 páginas e contém artigos publicados sobre a blogueira, fotos e “sórdidas montagens com insinuações de que ela teria se rendido ao dinheiro porque bebe cerveja, come banana e vai à praia”.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro