10 de abril de 2017 às 23h07min - Por Mário Flávio

Após acompanhar atentamente algumas entrevistas concedidas pela Prefeita de Caruaru e as considerações sobre os 100 dias inicias de governo, manter o silêncio poderia soar para a população como concordância ou omissão. Tais posturas certamente não são marcas da nossa vida política e da forma que adotamos para fazer militância.

Passadas as eleições municipais, o que poderia ser visto como um atrativo (positivo) para Caruaru, seria o fato de termos a primeira prefeita mulher, mas certamente essa não é a abordagem que daremos ao tema, pois desde a definição das candidaturas já deixávamos claro que não apoiaríamos nenhum/nenhuma candidato/candidata vinculado/vinculada a qualquer partido golpista (e nesse aspecto toda população reconhece que o PSDB e o PMDB são os maiores condutores do golpe contra a jovem democracia brasileira).

Uma das características marcantes desse curto espaço de tempo (100 dias para um período de 4 anos é bem pouco) deixa claro que algo não iniciou funcionando bem, pois a comunicação com a população sempre deixa margens para questionamentos, afinal são muitas reuniões e poucas respostas práticas às propostas apresentadas ao longo do período eleitoral, trazendo a percepção de que falta transparência ou competência para justificar a inércia inicial.

Analisar, mesmo que de forma breve, educação, saúde, segurança, infraestrutura e Feira da Sulanca, já nos permitiria discorrer de forma bem contundente, mas tentaremos conceder a “licença poética” da falta de tempo e de experiência em cargo executivo na administração pública, para justificar (o injustificável) o estudo/utilização de políticas implementadas pelo DEM (em Salvador) e pelo PSDB (na Cidade de São Paulo), como referencial para Caruaru.

Certamente o voto da população Caruaruense foi mais um sonoro “não” ao candidato derrotado no segundo turno, do que propriamente um “sim” ao projeto tucano de administrar. Embora diversos pontos acima citados não sejam de responsabilidade municipal, a prefeita fez questão de assinalar na sua campanha que poderia resolver tais problemas.

A solução integrada para políticas públicas certamente poderia tirar Caruaru de posições incômodas, pois recordes de violência nas zonas urbana e rural, mostram a total dissonância entre o governo municipal e estadual, além da inabilidade política ao buscar soluções que pudessem assinalar um período de trégua, afinal 77 assassinatos desde 1º de janeiro mostram de maneira indiscutível os tempos sombrios que vivemos.

Talvez a melhor alternativa para se combater a violência fosse privilegiar a Educação, mas esta parece também não ser prioridade nesse período inicial do governo, a falta de diálogo já gera a insatisfação dos/das profissionais da educação, que anunciam a redução do tempo de aula em protesto pela indefinição no cumprimento de uma pauta de reivindicações, inclusive da lei que fixa o piso nacional de salário, apresentando uma “mesa de negociação permanente” como a solução imediata para o tema.

Certamente os “resultados” da gestão passada podem ser um bom argumento para esse início frustrante para uns e que era esperado por outros, pois os exemplos de governos do PSDB espalhados pelo Brasil são a expressão do que há de mais retrógrado na política, sendo traduzido em Caruaru, nesse início de gestão, que muito prometeu e pouco conseguiu executar até este momento.

Ruas escuras, escassez de água, descontrole na mobilidade urbana (conservação de ruas, semáforos, efetivo reduzido e desaparelhamento da Destra), podem também dar o mote para essa avaliação, pois são áreas que revelam a inexperiência que marca esse início de ciclo municipal, com mais incertezas que concretudes em sua atuação.

A certeza que podemos deixar a todos é que a célebre frase do “quanto pior, melhor…” não marca nossos anseios, pois o sofrimento da população caruaruense não pode ser comemorado. Ao contrário, esperamos que nos próximos 100 dias assistamos uma mudança de postura e uma maior abertura da gestão municipal para entender os desejos e ouvir as propostas da população. A transparência com os números do município, certamente poderão auxiliar no diálogo com os professores e professoras, bem como com os demais servidores de Caruaru.

A população certamente espera uma gestão que tenha olhos e ouvidos voltados para os interesses e necessidades da coletividade. Analisar certamente é mais fácil que executar, dirão alguns, mas uma gestão transparente e atenta as necessidades da população (principalmente a população mais carente), poderá ser o caminho para uma administração que tenha os olhos e ações voltados para o futuro, buscar o diálogo com a sociedade organizada, implementar políticas públicas de respeitos as minorias e que estimulem a cidadania em seu mais amplo espectro, certamente são fórmulas já conhecidas, testadas e aprovadas.

Não temos a ilusão de que um governo do PSDB poderá ser democrático e popular, mas temos a esperança que a população Caruaruense terá condições de se organizar e exigir uma administração que privilegie o ser humano e acima de tudo busque adotar políticas públicas que possibilitem a inclusão e a participação da sociedade.

*Antônio Carvalho – Advogado e Dirigente Municipal do Partido dos Trabalhadores
*Emilia Trajano Carvalho – Belª em Direito, Feminista e Militante do Partido dos Trabalhadores


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro