9 de abril de 2015 às 08h55min - Por Mário Flávio

O discurso de valorizar e priorizar  a educação dança na boca dos políticos, como um confeito em boca de banguela. Chega o período das eleições, e a lengalenga começa, com as já repetitivas falas: do compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade e a inadiável valorização do professor. Também não pode faltar a promessa de realizar  concurso público,  a redução dos comissionados,e  sem esquecer a promessa de acabar com as indicações políticas para os  cargos de direção das escolas. Porém, quando esses campeões da causa tem a chance de, efetivamente, mostrarem o seu compromisso com a educação, infelizmente ocorre uma discordância entre a teoria e a prática.

Essa contradição fica explícita, quando acompanhamos os votos dos deputados estaduais: Raquel Lyra e Tony Gel. Já que nos últimos anos, ambos, em cada pronunciamento e entrevista, não perdiam a oportunidade de alfinetar  Queiroz e criticar a crise na educação municipal.

Um dos principais calos dessa administração, um flanco aberto, na verdade uma avenida inteira.  Em que as forças de oposição em Caruaru, poderiam fragilizar o Governo Queiroz  durante as próximas eleições municipais. Afinal o Prefeito, inviabilizou a educação caruaruense e perdeu completamente as condição de dialogar com os professores.   Tivemos um conjunto desastroso de: irregularidades, violências, incompetência explícita e descaso; cometidos  com os professores municipais e com os recursos financeiros da educação.

Um prato cheio para a oposição  em 2016! Contudo, essa ponta de lança não poderá mais ser usada pelos principais rivais do prefeito;  pois, tanto Tony Gel quanto Raquel Lyra, não possuem mais condições efetivas de criticarem a administração municipal nesse aspecto, ou de se colocarem como paladinos da educação.

Ambos foram cúmplices do desmanche da educação estadual, praticado pelo Governador Paulo Câmara. Replicaram em nível estadual o mesmo comportamento da Câmara Municipal de Caruaru, aprovando sem se preocupar com os impactos das medidas no cotidiano de milhares de professores e de suas famílias.

Não houve da parte deles, e de ninguém da bancada da situação, nenhum questionamento sobre o inchaço da máquina ou sobre a sua eficiência. Não cobraram a redução dos comissionados, dos gastos com publicidade ou das diárias.

Jogaram o custo do ajuste fiscal nos, já tão massacrados, professores estaduais, congelando seus salários.  Se Queiroz, em nível local, foi cobrado por eles de forma veementemente, para que: negociasse, dialogasse e desse transparência ao manuseio dos recursos financeiros; já em relação ao Governo Estadual o silêncio imperou, e a coragem desvaneceu-se.

Na busca para conseguirem, ou manterem, o apoio da máquina estadual, Lyra e Gel demonstram claramente que em seus modus operandi não são tão diferentes de Queiroz. Utilizam-se das mesmas estratégias políticas,  e possuem, com pequenas variações é óbvio,  as mesmas concepções sobre os serviços públicos, principalmente sobre a educação. Mostrando claramente que nos últimos anos, trocamos seis por meia dúzia a cada eleição. São cartas de um mesmo baralho, e de um mesmo naipe, que ao se revezarem no poder, não conseguem imprimir uma diferenciação clara das suas gestões.

Com os seus votos, abriram e uma caixa de pandora sobre a educação em Pernambuco, e que gerará, inclusive, impactos também nas demais redes municipais do estado. Afinal, se o Governo Estadual pode congelar o salário dos professores,  e usar os recursos do FUNDEB no caixa geral do Estado. Por que os municípios também não poderão fazer o mesmo?

Diante dessa tão desgastante realidade, só nos resta lamentar e adaptar para a realidade local a frase do Presidente mexicano Porfírio Díaz,: Pobre de ti Caruaru! Tão longe de Deus, e tão perto do fisiologismo!

*Mário Benning, é Mestre em Geografia e Professor no IFPE/Caruaru. Texto publicado no Blog Caruaru Vermelho. 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro