5 de fevereiro de 2018 às 09h27min - Por Mário Flávio

Pedro Holanda

Subir uma escada no escuro envolve riscos e por tanto provoca medo em quem se arrisca. Para muitos só imaginar já causa angustia. O ano de 2018 é esta escada, e o cenário econômico o escuro, onde há pouca clareza sobre o que acontecerá daqui para frente.

Nem tudo estar perdido. Por sorte, ainda em 2017, houve uma inflexão na trajetória recessiva. Os fatores foram o cenário internacional favorável, uma safra e preços agrícolas positivos, e também às devidas metas de ajustes nas contas públicas que trouxeram a confiança e o retorno do investimento produtivo. Os resultados, o desemprego desacelerou, a inflação voltou à meta, houve crescimento econômico, e boas projeções daqui para frente. Ganhamos uma lanterna para subir frente a escuridão.

Insisto em afirmar que 2018 é um escuro que causa angustia. Quatro anos atrás era bem semelhante. Negligenciamos o debate sobre a realidade econômica do país. Escolheu-se a opção que levou ao desastre, a maior recessão da história foi o preço. Este ano temos uma situação semelhante.

O quadro econômico favorável se sustenta apenas em expectativas. Ou seja, o governo sinalizou que fará ajustes nas contas públicas e boa parte da sociedade tem acreditado. Empresas retornaram a investir, e a contratar trabalhadores. As famílias, portanto, voltaram a consumir. Porém qualquer mudança de expectativa terá efeito reverso.

Ainda há muita incerteza e só se ver um degrau à frente. As contas públicas ainda estão deficitárias, em grande parte devido aos gastos com previdência social. A reforma desta tem sido a única escolha para direção do equilíbrio orçamentário. Contudo, o clima político tem sido desgastante para economia, e os ajustes necessários são adiados a cada dia. Apesar da sinalização de equilibrar as contas, o atual governo tem mantido a dívida pública crescente, as metas de superávits estão longe. Com um ano eleitoral imprevisível e o um governo afundado em escândalos, é difícil prever em qual direção vamos seguir.

Há uma grande possibilidade de o tempo ficar curto, e dos ajustes não serem tramitados em tempo, debatidos e por último implementados. Assim, o colapso das contas públicas pode se tornar realidade a partir do segundo semestre.
O assunto é complexo e envolve sacrifícios e dúvidas por parte da sociedade. O primeiro passo é analisar os fatos sem filtros utópicos, tendo ciência dos custos de não fazer o que deve ser feito.

A informação será fundamental para que o debate esteja dentro da racionalidade exigida, e se possível planejar cenários futuros que diminuam os riscos dos indivíduos. Assim, este artigo inicia uma série de conteúdo especifico sobre: reformam da previdência, perspectivas e oportunidades para 2018, além de outros fatores que afetam a nossa vida.

*Pedro Neves de Holanda – Assessor econômico. Co-fundador do movimento Caruaru Livre


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro