12 de abril de 2017 às 07h35min - Por Mário Flávio

Em um recente artigo publicado aqui neste blog, por Antônio Carvalho, foi apresentado uma intensa crítica a gestão do PSDB em Caruaru. A essência do texto é de que a influência do PSDB inibe o desenvolvimento na gestão da prefeita Raquel Lyra. Apesar da boa intenção do texto, há uma exagerada falta de consistências nos argumentos, devido a falsas premissas assumidas pelo autor.

O PSDB é de fato um partido marcado por fatos políticos que mancham a sua imagem, e outros de excelente benefício para população. Porém, não será objetivo aqui advogar em nome deste ou de qualquer outro partido. Apenas dissertar sobre as premissas apresentadas, para então observarmos a inércia da gestão municipal em relação aos inúmeros problemas existentes na cidade.

O autor inicia o texto com a seguinte afirmação, “toda população reconhece que o PSDB e o PMDB são os maiores condutores do golpe contra a jovem democracia brasileira“. É compreensível que o autor pretendeu exagerar ao afirmar que, toda população brasileira reconhece o PSDB como golpista. Mas esse exagero é apenas coerente com paixão partidária e não com a realidade política.

É importante apresentar esse equívoco, pois é a partir dessa base que o autor construiu todo o desenvolvimento de sua análise sobre a gestão municipal. Mais adiante, o autor supõe que a prefeita estaria muito articulada com projetos do PSDB de São Paulo, do prefeito Dória. Indo mais além no texto, é apresentado uma falsa conclusão de que o eleitor Caruaruense não tem interesse no modo de gestão tucano. Destaca-se mais uma vez a fraca sustentação do raciocínio do qual o autor desenvolveu.

Primeiro equivoco, não há evidência alguma de qualquer projeto em Caruaru que se assemelhe aos projetos tucanos desenvolvidos em São Paulo. Pelo contrário, a gestão Dória tem se destacado pelo fato de trazer o setor privado para políticas públicas. Já a prefeita caruaruense pouco, ou nada, apresentou nessa perspectiva. E tem continuado no tradicional modelo de gestão baseado em articulação com governo do estado e federal, através de recursos públicos.

O segundo equívoco, e o mais perigoso para uma análise política, é o de falsamente buscar representar a opinião pública sobre um tema heterogêneo. Existe entre os caruaruenses diversas perspectivas políticas, e mais uma vez não há embasamento nenhum para afirmar que a cidade rejeita um projeto tucano – ou de qualquer partido e ideologia. Se a pretensão é fazer uma análise generalista, seria interessante ao autor ter buscado em parâmetros de pesquisas amostrais, ou de outros tipos suas afirmações.

Uma recente pesquisa do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, derrubou uma falsa tese de que pobres e moradores de periferias não tem interesse em políticas liberais – assim como deixou entendido Antônio Carvalho – quando na verdade a pesquisa feita pelo instituto do PT descobriu que os mais pobres tem uma perspectiva mais liberal. Outra recente pesquisa(DataFolha) revelou uma boa aceitação em relação ao prefeito Dória nos seus 100 dias, algo em torno de 70% de aprovação, e que boa parte do seu eleitorado é de periferia.

Assim, anulando essas falsas premissas é possível fazer algumas suposições mais prováveis para a lenta reação aos problemas sociais e políticos de Caruaru por parte da atual gestão. É mais provável encontrarmos no uso de velhas e tradicionais formas de fazer política, ainda presentes na gestão de Raquel, como determinantes da ausência de soluções práticas.

Além dos papos intelectuais, e das postagens cult, o cidadão caruaruense ou de qualquer lugar do Brasil, pouco se preocupa com bandeiras partidárias, ideologias desenvolvimentistas, e demais discursos politizados. O cidadão comum, tem se preocupado em pagar contas, proporcionar uma boa educação para os filhos, garantir segurança e saúde. E nesse sentido, gestões municipais que executam com eficiência e eficácia políticas públicas são bem avaliadas, até mesmo em 100 dias, pela população, independente do partido.

Esse é o grande problema do cenário atual em Caruaru, um município que acostumou-se nas últimas décadas, a ter seu orçamento e projetos políticos sustentado em recursos públicos, alta burocracia, máquina pública sobrecarregada, desperdiçando o potencial empreendedor da região e onerando o cidadão com alta carga tributária.

*Pedro Holanda faz parte do movimento dos liberais de Caruaru 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro