19 de junho de 2018 às 22h33min - Por Mário Flávio

É bem verdade que com a massificação das redes sociais, muitas vozes ganharam ecos, de certa forma, temas de interesses públicos que em outros tempos passavam despercebidos pela sociedade agora ganharam a vez no debate popular, e isso compreendemos que seja um caminho para um futuro ainda que distante, termos um corpo social politicamente amadurecido.

Ainda estamos muito aquém de países como a Noruega que tem uma das melhores democracias do mundo. Essa evolução se reflete no debate político, evidentemente que essa evolução democrática Norueguesa veio acompanhado de um ajuizamento popular que permitiu efetivo avanço nas conquistas sociais, segundo especialistas da BBC, isso se deu “Por que as instituições públicas são fortes, uma cultura baseada na confiança e na baixa desigualdade… E um estado forte com pouca corrupção”

A cultura política dos brasileiros é explicada também por um Estado frágil com instituições desacreditadas e as decisões dos grandes debates passando sempre pela alta cúpula política, os agentes de mercado e a grande massa sendo anestesiada pela grande mídia.

É a partir dessa crise institucional que chegamos nos últimos anos, que surge um aflorado debate político, porém, com uma falta de fundamentos que chega a assustar, discussões complexas baseadas em senso comum, clichês e frases decoradas.

Precisamos muito entender que não é com achismos que chegaremos a construir uma sociedade preparada para enfrentar as grandes demandas, reduzimos o debate político a simplesmente debate de partido político, reduzimos propostas políticas a propostas do “meu” político, e chegamos ao cúmulo de debater problemas extremamente complexos com opiniões de pouco fundamento e sem noção alguma, e a grande decepção é que essas atitudes partem da população e também dos nossos políticos.

Não se resolve o problema da violência no Brasil com “bandido bom é bandido morto” a população do Rio de Janeiro que o diga. Não se pode convencer o povão sobre a reforma da previdência alegando que “Vamos apenas cortar privilégios” quando temos políticos e o magistrado fora dessa “deforma”, não avançamos no debate quando alimentos que    “quem é de esquerda é comunista e quem é da direita é liberal”, esses pequenos exemplos estão rotineiramente sendo “vomitado” por analfabetos políticos que acreditam estarem contribuindo com a discussão.

As redes sociais apenas deram visibilidades a essas falas, infelizmente elas já existiam nas rodas de conversas, mas no conforto, na comodidade e no anonimato das falsas notícias muitos estão se carregando para o próprio abismo da ignorância.

Um debate político sobre questões complexas exige muita leitura e estudo, critério naquilo que se fala, um embasamento é essencial para chegar em posicionamentos coerentes efetivos.

A falta de investimentos no campo da educação é um retrato de como não podemos ter um povo politicamente evoluído, só como exemplo, dos últimos cincos ministros da educação, apenas um fazia parte da área educacional e que já tinha dado grande contribuição ao setor. Não podemos esperar grandes soluções diante de um povo pouco instruído que debate mal, assimila o pragmático e não são receptivos a projetos e que pouco entendem sobre a importância de se discutir programas a médio e longo prazo, dessa forma esperaremos muito para o debate político avançar, eu acredito que chegaremos a esse nível um dia, no médio e longo prazo, mas antes devemos deixarmos da teimosia de querer TRATAR DE FORMA SIMPLÓRIA QUESTÕES QUE SÃO BEM COMPLEXAS.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro