Artigo – O bem de hoje é o mal do amanhã – por Marcílio Cumaru*

Mário Flávio - 25.11.2015 às 08:59h

Nos últimos dias fui instigado a falar sobre duas situações aparentemente progressistas, de vanguarda, mas de um retrocesso monumental. Primeiro foi a notícia advinda do Tribunal de Contas do Estado traçando os problemas ambientais em nosso lixão, digo, nosso aterro sanitário. Não pretendo me alongar neste situação, mas penso no amanhã. Amanhã o gestor público desta republiqueta vai ter seu primeiro grande problema, lidar com o planejamento desplanejado de hoje.

Não sei se os filhos de Vitalino sabem, mas todo o lixo produzido vai ser depositado no nosso quintal, embora seja a parte mais distante da sua casa, mas dentro dela. Como diriam os inspetores técnicos e noutras palavras, a terra do Maior e Melhor São João do Mundo expande sua área de depósito de dejetos em linha contígua, ou seja, ao lado de onde hoje está, mas você sabe onde é? Estamos falando de uma área urbana da cidade: bem aqui, bem ali, precisamente falando, dentro de área de expansão imobiliária e comercial, traduzindo, talvez você venha a residir lá amanhã – ao lado do lixo – em decorrência de um ‘planejamento’ de hoje.

Com as narinas fehadas, acordará com a paisagem de uma falsa montanha, cheia de materiais, alguns até recicláveis, mas(…), além de gases e chorume! Nada mal. Todos eles atualmente reutilizáveis, mas aqui será uma bomba tóxica. No planejamento ‘desplanejado’, estamos pagando por uma desapropriação com os cofres públicos, quase R$ 1 milhão e, isso manterá o aterro em área onde sequer deveria estar. Han?!

Pois é, fico imaginando o que deve estar pensando um pretenso candidato a gestor municipal em 2016? Que país é esse? Noutro olhar, meus olhos negros ficaram mais negros, assistindo paciente e tristemente o desplanejamento planejado louvar uma obra que borra de preto a lei de responsabilidade e uma política pública que se agrava quando executada no Nordeste brasileiro: Asfalto Rural!

Estudos e mais estudos, embora neste não precisássemos deles, pois saltam aos olhos a situação que margeia o inacreditável. Descalços e in loco, sabemos o efeito do asfalto?! Aquela borra quente que tem matéria prima advinda do petróleo e que é usualmente utilizada para melhorar vias públicas… Ok!

Mas o preço que se paga na zona urbana é necessário, mas na zona rural nordestina, em especial nas nossas extensas estradas de terra, estas não exportadora de grãos, com uma seca e calor escaldante, tal ato chega a ser inimaginável.

Com bravos interesses e anos-luz do pensamento público advirá a interrogação: Você é contra?! No nosso caso não sou contra, sou r-a-d-i-c-a-l-m-e-n-t-e contra. O asfalto adia o calor de um local até noite, o asfalto acaba com a permeabilização do solo, canaliza o lixo para mananciais, o barro preto duro causa um efeito escorregadio nos animais, estamos falando do seu habitat, se a manutenção em áreas e vias urbanas é morosa e caótica, imaginemos em áreas distantes dos centros urbanos.

Há alguma dúvidas que nossos hospitais estão cheios pessoas aguardando cirurgias ortopédicas, óbitos e um elevado número de acidentes provocados em decorrência de álcool, motocicletas e estradas rurais não não fiscalizadas pelo poder público, agora, terão um autódromo livre. Perfeito!

Antes que a força tarefa conteste com fotos de áreas rurais dos Estados produtores de grãos, as situação são quilometricamente distantes. É Brasil, não falta dinheiro, falta visão pública de sua terra, a beleza e o bem-estar sempre moram nas fotos das férias! Doutores, populares, donos dos popularidade espontânea do povo, senhores eleitos, nomeados, concursados: Abram buracos, aumentem a capacidade de retenção de água de chuvas, mantenham as nascentes, as matas e deixem a água brotar, façam este povo crescer, enriquecer, emancipar, precisamos de água, de orientação técnica para o povo produzir, não podemos ser os primeiros a sentir qualquer efeito de crise econômica, tão-somente, depender de repasses governamentais.

Temos terra boa e povo ocioso, parem de matar o solo e fazer o contrário. Ufa! Cansado de tanta visão antiquada, fotos virtuais não alimentam o gado e não são capazes enxergar a terra agonizando. Do contrário, agora sufocada, impermeabilizada. Doutor, não contribua com o aumento do calor , como se já não tivéssemos o suficiente; Parem, não joguem suas histórias embaixo de um tapete preto e quente.

Cansei, você deve também ter cansado, se não foi de sede, foi de ler. Com um reflexo escuro nos olhos e nariz fechado, a ignorância comemora!

*Marcílio Cumaru é Membro do Conselho do Meio Ambiente de Caruaru.