25 de março de 2018 às 22h53min - Por Mário Flávio

“Se tivessem o mínimo de dignidade estariam beijando meus pés”. Tuitou o ex presidente Lula em sua rede social.

Não sei se Lula vendeu a alma, mas para manter-se com algum vestígio de popularidade cavou, com pressa e precisão, em direção ao fundo do poço da moralidade. E a cada dia me surpreendo com a possibilidade deste fundo não ter fim.

Em um quadro eleitoral com Temer, Ciro, Alckmin e Collor, a tendência é de uma corrida, por parte de cada um destes, para o caminho também do poço sem fundo. Nesse contexto há duas grandes possibilidades: i) a eclosão de um extremismo insuportável; ii) uma destruição criativa e reveladora.

A primeira possibilidade é apenas de intensificação de um processo que já tem-se iniciado desde 2014. Se antes dois grandes grupos dividiam-se entre os vermelhos e amarelos, hoje se expõem até no Supremo Tribunal Federal os comportamentos psicopáticos, requintado por um vocabulário elegante.

No segundo caso, as chances são baixas. É muito provável que a eclosão dessa dramática espécie de guerra civil sobreponha-se sobre a oportunidade de surgir um novo comportamento político no Brasil. Uma renovação. E não se trata de esperar o surgimento de um líder heróico que traga a integração da nação.

Mas parte significativa dos brasileiros ainda deposita fé que ao eleger um político, virá junto a restauração da sociedade. Quando o que falta ao país é tornar evidente que os valores que faltam aos políticos também estão ausentes na sociedade.

O problema central, que pode inibir a renovação, é que a demência narcisista destes líderes inflamou uma massa de militantes. Engessou o discurso de uma geração que ficou presa nos anos 80, e em algum momento transformou seus ideais em culto a uma personalidade.

Uma outra geração, que a poucos meses nem sequer tinham títulos de eleitores e já tem os os próprios mitos. Estes dominam a zona de conflito do debate político e são visíveis nos gráficos de perfil político das redes sociais.

Os resultados são imprevisíveis. Se há espaço para certeza, é para a tempestade de conflitos que se intensifica, a audiência que os dementes terão, e a fé de que em algum momento virá a tona, a restauração social. Com o afastamento de algumas pessoas do ambiente político-partidário, a expectativa é que estas mudanças ganhem força por fora do sistema eleitoral.

Isso significa, por exemplo, mais vizinhos que cooperam em benefício da comunidade, mais empreendedores sociais, inovações digitais, o reconhecimento das igrejas e ongs e seu voluntarismo. Portanto, um conjunto de instituições com maior potencial de estabelecer valores cívicos.

Para tanto é preciso deixar o conflito extremista vir a tona e esperar que as forças e discursos se anulem, deixando um vácuo para um novo paradigma.

“… E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos não por ser exótico

Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio”. (Um Índio – Caetano Veloso).


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro