31 de março de 2017 às 10h06min - Por Mário Flávio

A cada ano, logo quando acaba o carnaval e a galera volta às aulas, já se começa a pensar no São João. Parece estranho, mas a visão de São João da turma da velha guarda, da meia-idade e da juventude é completamente diferente uma das outras. Também o é para o caruaruense nato e o adotado, que não é um número pequeno, digamos e há de se respeitar. Esses conceitos distintos repercutem nessa expectativa que é gerada pela chegada da festa.

Para a velha guarda o São João está bem ligado à tradição religiosa e suas festas de igreja, com promessas aos santos, rezas, fogueiras, quermesses etc. Os que estão na casa dos 30 aos 50 anos viveram festas juninas mais profanas do que religiosas. O forró pé-de-serra comeu no centro, o baião, o xaxado, a ciranda, as quadrilhas, as bandas de pífanos, os arraiais, os bacamarteiros faziam a animação nas vésperas e nos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro.

A turma mais jovem sofre muito mais a influência da mídia e do sistema, e não vê com os mesmos olhos a força da tradição religiosa ou folclórica. Para muitos é uma festa, a oportunidade (talvez, a única), de ter uma vida noturna animada, ver o seu ídolo ao vivo etc.

O caruaruense instruído, ligado às tradições e patrimônio cultural da cidade tem obrigação de defender uma festa mais autêntica, mais popular, de volta às origens; mas o também morador da cidade, às vezes nem caruaruense é, que não cresceu ou não está acostumado com todo esse saudosismo, tem esta mesma obrigação? Me parece que não!

O poder público paternalizou a organização e promoção da grande festa; o povo arrefeceu nas suas iniciativas e hoje, numa postura bem atual, é passivo e limita-se a criticar ou parabenizar a Prefeitura pelas atrações musicais de peso nacional que apresentam-se no Palco Principal de um Pátio de Eventos organizado para tal.

Os jovens, com algumas exceções, são os grandes incentivadores dessa exigente prática: tem que trazer fulano ou cicrano para cantar, mesmo que em detrimento dos valores locais. Forró Pé-de-Serra não é música para jovem; o bom mesmo é o estilizado, o sertanejo, o baiano etc. E deve-se lembrar que isto, definitivamente não é o que atrai turistas para a cidade, pois esses shows ocorrem em qualquer lugar ou época do ano. O turista vem pelo diferente, pela força da cultura local.

O que nos falta? Educação, conscientização, aceitar que o modelo de organização da festa está saturado e desrespeita nossos artistas? Tudo isto ou saber adaptar o religioso, o folclórico, o atual aos tempos e públicos numa festa democrática, de promoção popular?

* Moisés Bonifácio – Professor, Turismólogo, Guia de Turismo e Agente de Viagens
Diretor de Comunicação do PSOL-Caruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro