12 de abril de 2015 às 11h13min - Por Mário Flávio

A partir de hoje, o dia 11 de abril de 2015 será lembrando como uma data histórica. O primeiro encontro bilateral entre líderes de Cuba e EUA desde a revolução de 1959 marca uma nova fase do mundo moderno, quando as distâncias físicas e ideológicas, cada vez mais, caem por terra. Muitos comemorarão este dia, mas o povo brasileiro vai querer esquecer o que aconteceu na Cidade do Panamá.

Lá a presidente Dilma deu mais uma demonstração de que sua política externa é tão descolada da realidade quanto seu governo. Na sétima edição da Cúpula das Américas, encerrada ontem, Dilma criticou o presidente americano, Barack Obama, por suas sanções ao governo venezuelano.

No encontro, marcado pela reaproximação entre EUA e Cuba, a presidente já não podia usar o velho discurso esquerdista da vitimização da ilha dos irmãos Castro. Mas não se furtou de defender outro regime totalitário, como a Venezuela de Maduro.

Vale lembrar que o povo venezuelano vem sofrendo uma escassez generalizada, por conta do governo centralizador e errático de Nicolás Maduro que, além da inaptidão para governar, persegue a aprisiona adversários políticos.

Seria sensato que o governo brasileiro visse os Estados Unidos não como um vilão imperialista, outro clichê da esquerda, mas como um parceiro comercial e político que merece mais atenção. Sobretudo porque estamos amarrados em acordos regionais, como o Mercosul, que não desenvolveram seu potencial justamente por conta de visões estreitas e arcaicas de nossa política externa.

É lamentável que o Itamaraty, reconhecido internacionalmente pela excelência de seus quadros, esteja sujeito a essa miopia geopolítica do governo, que coloca as afinidades ideológicas acima dos interesses do país.

Mas não chega a ser surpreendente que a presidente Dilma apoie o regime chavista de Maduro, já que recentemente ela defendeu o diálogo com o grupo terrorista Estado Islâmico, justamente em um momento que o mundo inteiro condena sua barbárie.

Assim como não surpreende que mais de 60% da população brasileira, segundo a última pesquisa Datafolha, apoie a instalação de um processo de impeachment. Este sim, um recado bem claro da realidade que a presidente teima em não enxergar.

 
*Mendonça Filho, deputado federal (PE), líder do Democratas na Câmara.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro