7 de abril de 2018 às 12h45min - Por Mário Flávio

O que mais chama atenção no poço sem fundo que Lula tem cavado para si, são as milhares de almas que ele tem arrastado. Não se trata de uma crítica ao petismo, como entidade que carrega uma ideologia de esquerda, mas a sua vertente paralela, o lulismo.

Getúlio Vargas talvez tenha sido o primeiro populista da história do Brasil. Embora seja na figura do Lula que surge a oportunidade de emergir uma religião.

A perversidade do regime militar fez criar um dualismo significativo no ambiente político. Surgindo assim, um mal comum a boa parte dos brasileiros. Com o fim do regime, surge um segundo mal, de caráter material. A crise econômica e a dívida externa tornam favorável a narrativa contra um inimigo mais abstrato, os capitalistas, neoliberais, o Consenso de Washington,privatizações entre outras. É neste cenário que faz-se surgir um contraponto emergente das massas, carregado dos mais diversos sentimentos de agrupamento político e ideológico.

O lulista de hoje era o militante dotado de sentimentos daquela época, que carregou sonhos utópicos e moveu sua vida em defesa de uma “justiça social”. Logo, a figura de Lula preso, não é figura apenas de um homem corrupto, mas é, em grande parte, a imagem da destruição de todos esses sentimentos criados na sua figura. A fábula criada de que havia um inimigo necessitava de um herói messiânico. Evidenciar a falta de virtudes deste imaginário herói é, portanto, evidenciar um sonho perdido. Se uma religião é capaz de dar sentido à vida, o lulismo deu sentido a uma geração, ou mais de uma.

Impressiona o fato de que não existe nesse conjunto de pessoas a possibilidade da dúvida, de pensar que em algum momento há crime de corrupção. E quando há, o afago do “roubou mais fez” conforta até aqueles mais céticos e críticos com a política.

Não se trata de um triplex, de um sítio ou dos valores que estes bens podem assumir se comparados com de outros corruptos. Se trata da possibilidade – e deixou a chance da dúvida – da maior organização criminosa operando dentro do setor público, não apenas o enriquecendo empreiteiros, banqueiros, e magnatas, mas de manter e desenvolver um estrutura política em um continente, com a liderança de um homem.

O fato da lava-jato, com seus méritos e deméritos, evidenciar que os grandes beneficiados não foram os mais pobres, pelo contrário. Ou mesmo que as análises econômicas identifiquem que durante a última década houve aumento da concentração de renda, e que a erradicação da pobreza não é um fenômeno particular ao Brasil, nem tão pouco político. Ainda assim, não será possível fazer-se iluminar o pensamento de muitos. Para estes a possibilidade de perder um credo desestabiliza a alma. E assim caminham, ao som da narrativa política, com os mais apropriados símbolos de aflorar sentimentos, para um poço cavado por uma mente doente pelo poder.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro