30 de janeiro de 2018 às 08h46min - Por Mário Flávio

O professor Alberes Silva inicia hoje uma coluna fixa no blog. Todas as terças ele trará um tema a ser abordado. Segue abaixo a íntegra do texto.

Há algum tempo me dediquei a refletir sobre a insistência que tem o movimento escola sem partido em querer aprovar uma pauta (retrógrada e reacionária) em todo o Brasil. Na qual, partem do princípio que na relação escolar o aluno é a parte mais frágil e suscetível a ser influenciado por “professores” mal intencionados ou, como eles chamam, doutrinadores.

Esse conceito de “doutrinação” apresentado pelos ideólogos tem como ponto de partida uma visão sociologicamente míope, que enxerga apenas que o processo de doutrinação é fruto de uma ordem maior baseado em um “marxismo cultural” para implantar o comunismo no Brasil e o movimento Escola sem partido seria o grande freio a esse “projeto de doutrinação comunista”. O problema é que a premissa teórica não se aplica na prática real das escolas, dezenas de exemplos podem ser dados para confrontar a ideia central do mesmo porém, esse momento não é objetivamente para nos dedicar a esse tema.

Em 2016 e 2017, surgiu no Brasil uma “categoria” de protestantes, que consistia em realizar protestos orquestrados em algumas cidades do país. Quando havia algum pronunciamento oficial do governo petista, eles apareciam no intuito de manifestarem suas indignações contra a corrupção do governo e sobretudo por aquilo que chamavam de institucionalização da corrupção, entre vários motes que bradavam, um deles era: “primeiro tiramos o PT, depois tiramos o resto”.

E com essa forma de protestar se alastrando para grandes manifestações, reuniam-se milhares de pessoas nas grandes cidades do país, tínhamos, agora, os “justiceiros da pátria”, que iriam dar um fim na política corrupta que impera(va) no Brasil, e a esses foram dados o nome “batedores de panela”.

A partir dessas premissas chegamos a uma conclusão: nem o projeto escola sem partido e nem os batedores de panelas querem/queriam a moralização do Brasil, ficando absolutamente claro os interesses, quando após a saída da presidente Dilma, através de um impeachment, o novo governo montou seu primeiro escalão com políticos completamente envolvidos em corrupção, instituiu a compra de votos a partir de liberação, sem critérios de emendas parlamentares, em troca de votos nas reformas; o presidente Temer denunciado duas vezes, pego em ligações e encontros na madrugada, o que indica que o mesmo está afundado na mesma lama que o partido anterior queria encobrir. Paralelo a essa guinada do novo governo, o projeto escola sem partido cria um discurso que todo processo de descaracterização da educação brasileira é fruto da política educacional das últimas décadas.

A relação desses dois “movimentos” entra em convergência quando percebemos que o contexto político do Brasil é o mesmo dos últimos anos e mesmo assim aqueles que batiam as panelas hoje não batem mais, o motivo é simples: Ninguém, repito, ninguém batia panela por ojeriza à corrupção, os batuques “panelares” eram muito mais um “grito” de preconceito e ódio de classe do que um “fora corruptos”, pois a corrupção se alastra também com Temer, porém…

O Movimento escola sem partido, da mesma forma, muito mais do que uma falsa moralização nas escolas, esse projeto, no discurso reconhece que o discurso ideológico que defendem é fraco e não se sobrepõe ao discurso progressista, querem com essa ferramenta criminalizar os professores por suas atitudes em sala de aula, a ideia é simples e objetiva, assim como falou o professor Leandro Karnal: QUEREM TROCAR UMA IDEOLOGIA POR OUTRA, e essa premissa vale para os dois movimentos.

Escola sem partido e os batedores de panelas, irmão gêmeos (RE)unidos pela mesma marca.

*Alberes Silva é professor


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro