3 de março de 2017 às 07h18min - Por Mário Flávio

É comum no início de uma nova gestão governamental a cobrança por mudanças e as comparações com outras gestões. Após uma eleição municipal, os eleitores, políticos, analistas e imprensa tendem a especular sobre os rumos de uma cidade. Este fato é explicado em grande medida por mudanças organizacionais na gestão e pela perigosa corrida pelas concessões e demandas políticas.

No que se refere às comparações é muito saudável que sejam atribuídos critérios e parâmetros de eficiência, para que de modo geral um governo possa ser avaliado e a democracia possa funcionar de forma mais otimizada. Após pouco mais de dois meses de gestão, temos aqui uma breve observação do que foi o governo Raquel Lyra (PSDB). Em paralelo e na mesma quantidade de tempo foi observado uma das gestões mais emblemáticas das últimas décadas, a do prefeito João Dória (PSDB-SP). A escolha de tal comparação é muito óbvia, com opiniões prós e contra, Dória tem sido repercussão no debate político do Brasil, com até sugestão de candidato a presidente da república.

Em comum as duas gestões apresentam, além do PSDB, algumas semelhanças. Os dois governos assumem as respectivas prefeituras após gestões ditas de “esquerda”, que de forma resumida são caracterizadas pelo alto aparelhamento do setor público. Não há evidências se por acreditar em uma gestão mais enxuta – à liberal – ou por necessidade orçamentária diante do cenário nacional de dificuldade fiscal, ambas as gestões definiram reduzir o quadro de secretarias.

Uma redução de 18 para 13 secretários, pela tucana Raquel, e de 27 para 22 pelo tucano Dória. O Prefeito Dória foi mais fundo nesse sentido ao reduzir por exemplo, 30% de alugueis custeados pela prefeitura; 20% das despesas (exceto com educação e saúde); 30% dos cargos comissionados; leilão ou devolução de 1.300 veículos alocadas na prefeitura. Gerando uma economia de 120 milhões de reais ao ano.

O prefeito Dória assumiu uma postura, ou melhor, uma promessa de resolver os problemas públicos através de uma “gestão eficiente” com soluções simples. Traduzindo esses conceitos de forma clara: fazer mais com menos recursos públicos possível, usando a criatividade. A forma prática desses conceitos é uma, transformar a iniciativa privada em um parceiro nas resoluções de problemas públicos, e assim poupar os recursos públicos que são tomados, via impostos, dos cidadãos.

Algumas das recém, e frenéticas, mudanças na cidade de São Paulo já tem alguns resultados parciais. Seis desses programas merecem destaque e uma atenção do eleitor e cidadão caruaruense. Programas como o “Trabalho Novo”, reformulação dos albergues municipais, “Corujão da saúde”, adoção de praças, privatizações, cuidados com animais de ruas, organização urbana, são todos com apoio majoritário de empresas privadas.

Ou seja, a solução de problemas sociais sem onerar o pagador de impostos e dificultar o orçamento municipal. Um programa que chama atenção para os caruaruenses é o prometido em campanha, de reforçar o “Operação Delegada” programa municipal para combate a violência urbana.

A pretensão aqui não é enaltecer o prefeito do município de São Paulo, porém, como dito no início trazer um parâmetro para avaliarmos a gestão municipal de Caruaru. Diante dessa breve exposição fica claro uma diferença entre a gestão de Raquel Lyra e o nosso parâmetro, Dória. Uma simples analise nos canais de comunicação dos dois gestores para chegar a tal conclusão, a prefeitura municipal de São Paulo tem como norte orientador a solução dos problemas sociais via parceria com setor privado, com ênfase nas empresas parceiras.

Raquel por outro lado, exibe constantemente a busca implacável pelas alianças políticas que tragam recursos públicos (federal e estadual) – uma dependência já exposta em outro texto – para resolução de problemas sociais. É cedo para afirmar que o PSDB em Caruaru vai insistir em um modelo tradicional e arcaico de gerir um município. Mas é fundamental saber qual tendência está em movimento. Contudo que fique claro, “Gestão Eficiente” não se faz repetindo modelos tradicionais por medo de soluções inovadoras.

*Pedro Holanda é membro dos Libertários Mandacaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro