13 de fevereiro de 2016 às 07h25min - Por Mário Flávio

Muitas são as questões em tempos tão modernos sobre qual a função social da escrita. Como profissional da área dos Códigos e Linguagens, penso a respeito da adequação linguística como fenômeno crucial quando se trata de expor uma frase, um texto… a expressão de um pensamento. Mesmo as redes sociais sendo suscetíveis a uma linguagem rápida e coloquial, é preocupante ( sob a minha ótica ) como se escreve por aqui.

Penso que, por ter nascido no século XX e viver no século XXI, talvez alguns conceitos lá do século passado me façam ter, culturalmente, algo que se diz peculiar do “ensino tradicional “: a escrita adequada aos contextos como algo valioso. Não estou aqui julgando quem escreve assim ou daquela maneira, estou apenas pontuando que me incomoda um sistema educacional de um país tratar a Educação apenas como números, realizar investimentos altíssimos em provas, que sabemos não provam nada, além de preparar os alunos e alunas antes dessas “avaliações ” para depois, divulgar números irreais e porcentagens ridículas que dói na alma de quem sabe de fato como as coisas funcionam na educação pública.

O país vive uma crise política, porém independentemente da corrupção e tantos outros fatores que perpassam a nação neste momento, a linguagem parece ir junto a essa avalanche de maus bocados políticos. A poesia e a arte perdem seu espaço para a self e a maquiagem, para o olhar alheio, que quem dera fosse para cultivar o bem, o amor. Na nossa cultura, e isso não é nossa culpa, vem lá da época da colonização, as pessoas não leem, mas gostam de fingir que o fazem; porém nem isso tenho visto nas redes, que poderiam ter outro nome, já que não têm sido ferramenta social, no sentido literal da palavra.

Uma música boa, que nos permita interpretar, pensar, interagir com o eu lírico, nos ajuda a compreender situações do cotidiano com mais criticidade e até mesmo diversas formas de enfrentar os problemas e organicidade de ver a vida! Nos ensina a inferir, recurso que muitas vezes tem sido difícil, justamente pela não apreciação aos livros, à arte e à beleza real da vida: ser feliz em completude.
Mas o que a escrita tem a ver com tudo isso? Ao escrever nos expressamos, arrancamos do peito e colocamos para fora tudo o que o nosso coração sinaliza de bom ou ruim. Por isso que é comum alguém tomado por um sentimento, “correr” para postar nas redes sociais. Escrever alivia, alivia muito!

Mas aquele bom e velho caderninho bem que poderia voltar a ser o companheiro sentimental das pessoas. Ao menos lá, a escrita está adequada ao mundo particular, de um país que não proporciona a língua materna adequada, e não será assim tão compartilhada. O que acontece é que lá no papel ninguém vai curtir e como as pessoas verão as indiretas? Na minha época, acho que não tão remota assim, as coisas eram ditas olho a olho e direcionadas apenas para quem tinha que ouvir, mas hoje a função social da escrita nas redes parece ser ao fim, uma máscara para escancarar os sentimentos, tirar a conexão real entre os falantes e impedir o verdadeiro papel social da língua: a comunicação como fator social funcional, mas não necessariamente informal e inadequado.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro