13 de abril de 2015 às 08h55min - Por Mário Flávio

Entre o Primeiro campo de concentração de Dachau,  inaugurado  em marco de 1933, e o último, em Mittelbau, em outubro de 1944. Muita água passou por debaixo da ponte. E em apenas 9 anos, os Nazistas passaram para muitos os papéis de heróis a vilões, pelo menos no discurso e na dissimulação. No contexto político vigente, vivemos um período análogo aqueles anos obscuro da década de 30 do século XX.

Durante os anos que antecederam a segunda guerra, Hitler era o “cara”, exemplo de autoridade e disciplina, paladino da ordem, da moral cristã e da família, patriota, nacionalista, defensor dos princípios da Civilização Ocidental. Em meio ao caos, econômico, social e político que se seguiu a crise de 1929, a Alemanha Nazista era o modelo a ser seguido pelas demais nações e Hitler era  o arauto de uma nova era para a humanidade.

Seu carisma e ousadia fascinava desde: Papa Pio XII, o nobre Eduardo VIII,  empresários como Henri Ford, heróis nacionais como  Charles Lindenberg, intelectuais e até  estúdios de cinema, como: MGM, Paramout Fox. Empresas também compactuaram com a moda nazista, tornam-se parceira e financiadoras de seu projeto. Como a Kodak, Hugo Boss, Volkswagem, Bayer, Simens, Ford, IBM, BMW, Audi e GE entre outras. Possuiam uma legião de admiradores em todo o mundo e um verdadeiro POP STAR para as massas.

Mesmo para os críticos, a Alemanha era necessária e a sua missão histórica seria barrar um mal maior: combater a barbárie Bolchevique, conter os movimentos sociais e purificar a sociedade dos elementos indesejáveis. Afinal, para esses críticos,Hitler não passava de um demagogo e oportunista e a Alemanha Nazista  de algo efêmeros e passageiro que a própria história levaria ao esquecimento. Naquele contexto,acreditavam que era melhor perder alguns  anéis para Hitler do que perder os dedos no caso de uma revolução comunista.

Em Janeiro de 1933, o Presidente Hindenburg, convida Hitler para ser Chanceler em uma composição entre partidos centristas e o Nazismo. Sem poderes absolutos, mas isso não foi problema para ele, seguindo as normas constitucionais, convocou novas eleição para março.  Mas o poder absoluto não vem pelo o voto, e sim pelo arbítrio. No dia  27 de Janeiro, o Reichstag (Parlamento) é incendiado. A mídia nacional e internacional é acionada através da eficiente máquina de propaganda do Partido Nazista, a opinião fica exaltada, a comunidade internacional chocada, era ao mesmo tempo um atentado, ao Estado, a Nação e ao Povo Alemão.

Não foi difícil encontrar os criminosos, eram os mesmo de sempre, os comunistas e seus cúmplices. A sorte estava lançada e bode expiatório  pronto a ser servido. Em poucas horas, todo o aparato repressivo do Estado Alemão e do Partido Nazista  (SS e SA) estavam nas ruas. Como os presídios e cadeias superlotadas, a solução inteligente e criativa criado pelos nazistas foi o Campo Concentração e é ai que  de Dachau entra para história (22 de Março).

Para elite empresarial, o clero, a grande mídia da época, os demais partidos políticos, a comunidade internacional e a maioria do povo alemão, Hitler tinha dado um exemplo para o mundo de coragem,  eficiência e força ao tratar com  a ‘’escória do mundo”, Ele não só era o “cara”, mas também tinha aquilo “roxo”.

Após decretar a ilegalidade do Partido Comunista, em um prazo de três meses, cassou todos os outros partidos políticos não nazistas, em seguida censurou a imprensa, perseguiu clero, fechou os sindicatos e associações. O ódio germinou por toda Alemanha. Em 12 meses, só existiu um partido: o Nazista e um líder: Hitler. Dauchau foi o protótipo e laboratório  para todos os demais de campos concentração. De campo de prisioneiro comunista, Dauchau, “abriu suas portas” aos demais inimigos do regime: Políticos das mais diversas matrizes ideológicas não nazista: intelectuais, religiosos, judeus, ciganos, homossexuais. Por esse campo passaram 200 mil pessoas e de 38 nacionalidades.

Dauchau é um templo dedicado à intolerância, ao fanatismo, ao racismo, à mentira, à hipocrisia, à soberba, ao ódio,  à intransigência, à arrogância, à ignorância e a cegueira histórica! Seus sacerdotes continuam vivos, são todos aqueles que conspiram contra a democracia!

Aqueles que não respeitam as regras do Estado Democrático de Direito, eles estão presentes nos golpes de estado, nos regimes de exceções e em qualquer parte onde se viole os Direitos Humanos. Estão nas ruas e invadem as praças e em nome de um falso moralismo reacionário, não tem vergonha e escrúpulos de pedir intervenção militar,  de criminalizar a pobreza e os movimentos sociais, da  precarização das relações de trabalho e sua morte jurídica, a através da terceirização. É essa direita raivosa, espumando de ódio que foram, e são, os arautos e os sacerdotes do Holocausto. E depois disso tudo ainda dizem que comunista bom, é comunista morto…

*Arnaldo Dantas é Professor  Universitário e Analista Político. Texto postado no Blog Caruaru Vermelho


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro