8 de março de 2012 às 08h00min - Por Mário Flávio

Duas versões históricas são difundidas sobre a origem do Dia Internacional da Mulher, comemorado a cada 8 de março. Uma versão conta que o dia teria sua origem devido à greve em 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque. As mulheres teriam sido trancadas dentro da fábrica que foi incendiada e aproximadamente 130 tecelãs teriam morrido carbonizadas. A outra versão conta que o inicio do Dia Internacional da Mulher teria se dado com uma greve de operárias russas contra a fome, pouco antes do inicio da II Guerra Mundial. Ambas as versões demonstra que a origem do Dia Internacional da Mulher se deu pela organização das mulheres em defesa de uma sociedade mais justa e igualitária.

Chegado mais um 8 de março, temos muito a comemorar e muito também para reivindicar. As conquistas devem nos inspirar a seguir na luta, não cegar e não criar o clima de que tudo já foi alcançado.

Resultado de uma luta coletiva dos movimentos de mulheres, que já na década de 60 ganhavam as ruas com as campanhas pelo fim da violência doméstica e sexista, com o conhecido lema “em briga de marido e mulher nos metemos sim a colher”. A Lei Maria da Penha, mais que uma conquista jurídica, trouxe avanços políticos e transformou a cultura, hoje a violência contra mulher não é um problema privado, mas um problema público que tornou-se pauta dos governos. Agora, com o recente entendimento do STF, que declarou que não é necessária a representação da vítima para que seja formulada denúncia contra o autor de agressões físicas previstas na Lei Maira da Penha, denunciar a violência contra mulher é um dever de toda sociedade.

A luta das “suffragettes”, ainda no inicio do século XIX, que chegou ao Brasil por volta das décadas de 20/30, leva as mulheres a atuarem na militância política e a termos hoje, à frente do Brasil, uma Presidenta que tem origem nos movimentos sociais e compromisso com a ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder, o que vem ocorrendo não apenas no Governo Federal, Estadual e Municipal,  mas também no Poder Judiciário.

De modo que o cenário já é outro, muito já foi conquistado, no entanto a cultura machista e o patriarcado ainda são extremamente fortes em nossa sociedade. No mundo do trabalho, as mulheres ainda recebem salários 30% menores que os homens que ocupam o mesmo cargo. A cada dois minutos cinco mulheres são vítimas de violência doméstica e sexista. A educação, seja familiar ou escolar, ainda é extremamente sexista, o que exige que nossa geração se inspire na luta de mulheres que nos antecederam, como Clara Zetkin, Olga Benário, Alexandra Kollontai, Simone Beauvoir, e sigamos firmes na luta, militando nos movimentos sociais, nos partidos políticos e na gestão pública, na certeza de que somente a luta constante transforma os sonhos em realidade.

Assim, esse 8 de março, deve ser mais um dia para reflexão da necessidade de abraçarmos um projeto feminista de sociedade, que propõe uma sociedade onde não haja opressão, onde mulheres, homens, negros/negras, brancos/brancas, heterossexuais, homossexuais, religiosos, ateus, agnósticos, possam viver livremente  e com todos os direitos assegurados.

*Elba Ravane  é Secretária Especial da Mulher de Caruaru e integrante do coletivo da Juventude do Partido dos Trabalhadores


Comentários


...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro