30 de dezembro de 2017 às 18h01min - Por Mário Flávio

Esse texto surgiu como resposta à indagação de um companheiro, num dos tantos grupos do whatsapp, sobre se Freixo (dep. estadual do PSol/RJ), seria “quinta coluna”, por discordar da união das esquerdas para as eleições de 2018.

O ano de 2017 foi de retrocessos políticos, econômicos e sociais! O golpe institucional que afastou da presidência da república, Dilma Rousseff, uma mulher eleita democraticamente, não cessou com o seu afastamento! Aliás, temos mais do que razões para acreditar que o impeachment era apenas “a ponta do iceberg”. O pior ainda viria. E está vindo!

Mas, apesar de entender que não devemos cessar de falar dos golpistas, fascistas, traidores e antidemocráticos, que hoje dominam a política nacional, quero aqui fazer uma retrospectiva de 2017, na verdade uma autocrítica, discorrendo um pouquinho sobre as esquerdas brasileiras, que aliás, quero deixar claro, defendo e apoio! E falarei sobre isso a partir de uma indagação intrigante de um amigo/companheiro de lutas, sobre se Freixo (dep. estadual do PSol/RJ), seria um “quinta coluna”, por se posicionar contrário à união das esquerdas nas eleições de 2018. O termo “quinta coluna”, na expressão mais simplória do termo seria “um traidor das esquerdas”.

Bem, em primeiro lugar, não considero que Freixo seja um “quinta coluna”, em nenhuma hipótese! O deputado carioca é na verdade um lutador das causas do povo! Militante de esquerda sério e competente morrente!

O problema é que as esquerdas e centro esquerdas do Brasil são autofágicas! Se autodestroem! Se autocombatem! As esquerdas não são solidárias com as esquerdas! E agindo assim, facilitam o trabalho dos nossos verdadeiros adversários, nossos inimigos!

As esquerdas e centro esquerdas brasileiras, padecem de um “puritanismo político ideológico”, que somente tem lhes levado à bancarrota ou mesmo ao descrédito! É isso ocorre tanto nas lutas sociais, quanto nas lutas institucionais, nas corrida eleitorais!

Hoje, assim como nos velhos tempos da medonha ditadura militar de 1964, as esquerdas não se unem! Elas não se uniram “nos porões das prisões da ditadura militar”; nem nas ruas do Brasil, contra o golpe institucional que tirou Dilma Rousseff da presidência; nem contra as reformas trabalhista e previdenciária do (des)governo golpista; nem tampouco se unirão para enfrentar seus verdadeiros inimigos em 2018, nas eleições presidenciais! Aliás, acho até que seria ingênuo da nossa parte, acreditar que as esquerdas do Brasil poderiam se unir em algum momento, por alguma razão! Isso é fato histórico e nesse caso “a história não nos absolverá!”

Em relação às próximas eleições presidenciais, as esquerdas e centro esquerdas nacionais estão agindo mais ou menos assim:

-O PT quer que todos os demais se unam em torno dele e apoiem Lula (pré-candidato a presidente);

-O PDT quer que todos os demais se unam em torno dele e apoiem Ciro Gomes (pré-candidato a presidente);

-O PCdoB quer que todos os demais se unam em torno dele e apoiem Manuela D’Avila (pré-candidata a presidenta);

-O PSOL quer que todos os demais se unam em torno dele e apoiem seu/sua candidato/a. Eles ainda não definiram um nome, estão tentando convencer Guilherme Boulos, líder nacional do MTST, mas se Boulos não topar, lançarão outro nome e quererão, lógico, que o “consenso” se dê em razão ou em torno desse nome;

-O PSTU, repetindo eleições passadas, deverá também lançar candidato/a e trilhará o mesmo caminho;

-O PCO; o PCB etc., etc., etc., idem;

-Os movimentos sociais; sindicais; estudantis etc., também seguem a mesma lógica descrita acima.

Assim, temos certo que, cada partido da esquerda e centro esquerda brasileira acredita ser, por si só, o detentor único e absoluto da verdade suprema, o que faz com que não admita, em nenhuma hipótese, embarcar num “projeto rebaixado” de outra sigla política inferior ideologicamente à sua!

Eis aí a esquerda nacional retratada, de forma curta e objetiva! Esse fatídico “modus operandi”, me leva a indagar a mim mesmo: estou falando das esquerdas políticas ou das religiões fundamentalistas, tão criticadas e até combatidas pelas esquerdas?!

Na verdade, estou apenas retratando, relatando, descrevendo, minha visão, minha opinião; fazendo minha avaliação; minha autocrítica! Afinal, nós das esquerdas sabemos muito criticar tudo e todos, mas temos muita dificuldade de nos autocriticar, nos auto-avaliar!

Pode parecer pessimismo, fatalismo, negativismo, mas, apesar dos pesares, acredito que teremos em 2018, a oportunidade de avançarmos em direção à democracia que foi tirada, tomada, destronada! Avançaremos se quisermos, se nos dispusermos, se nos desarmarmos contra nós mesmos!

As eleições presidenciais de 2018 serão (poderão ser), um marco divisor entre o povo e seus algozes; entre os defensores da liberdade democrática e os golpistas institucionais; entre o capital e o trabalho (luta de classes?); enfim, entre as esquerdas e a direta, que finalmente saiu da caixa e mostrou a cara, já que antes, apesar de sempre existirem, nunca se mostravam como tal; nunca admitiam ser!

Acredito que, apesar das esquerdas desencontradas e do marasmo social, teremos em 2018, grandes avanços democráticos e conquistas políticas! O povo não quer regredir ainda mais, seja do ponto de vista econômico, seja social ou político!

É lógico que avançaríamos muito mais se conseguíssemos deixar um pouquinho de lado as vaidades e o absolutismo das perfeitas ideias de cada esquerda e conseguíssemos nos juntar, sim, o termo correto é “juntar” mesmo, pois “união” é praticamente impossível, e voltar todas as nossas armas, energias e capacidade organizativa de luta, contra nossos reais inimigos, os donos do capital e consequentemente, donos do poder, que aliás estão rindo de nossas desavenças internas e, mesmo destroçados como estão, eleitoralmente falando, se preparam para tentar nos derrotar nas urnas, nas eleição que se avizinham!

A nós cabe abrir os olhos, arregalar mesmo, como dizemos aqui no Nordeste, arregaçar as mangas e partir pra luta, acabando com as birras e parando de praticar a autofagia que, lógico, não será tarefa fácil, mas, pensando bem, desde quando algo foi fácil pra esquerda e no mundo?! Desde quando algo foi fácil na luta dos/das trabalhadores/as?!

Portanto e por fim, que em 2018 a luta continue! Mas que essa luta não seja de nós contra nós mesmos e sim contra aqueles e aquelas que nos aprisionam; contra nossos algozes; contra essa direita fascista, golpista e desumana, que está correndo destrambelhada à procura de um candidato que possa lhe representar com chance de vitória eleitoral, mas sem êxito, até agora! Enquanto isso, estamos nós com nossas birras e falta de unidade, praticamente pedindo pra ser derrotados!

2018 depende de nós! Portanto, “Feliz 2018 pra nós que, apesar de tudo, acreditamos num Brasil e num mundo melhores e mais justos”!

Caruaru-PE, sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

*Adilson Lira, advogado; ex-presidente do PT de Caruaru-PE; integrante da Coordenação Nacional do Movimento Social Via Trabalho


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro