O agora ex-ministro do Empreendedorismo, Tadeu Alencar, anunciou nesta terça-feira (21) que está deixando o comando da pasta. A decisão foi comunicada por meio das redes sociais e ocorre após o constrangimento gerado dentro do PSB, envolvendo o presidente nacional da sigla e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos.
Tadeu reconhece que sua permanência no ministério passou a alimentar tensões dentro do partido. O movimento ocorre em meio a uma crise que já vinha sendo tratada nos bastidores de Brasília e amplamente repercutida por sites especializados em política, que apontavam a insatisfação da cúpula do PSB com sua nomeação.
Segundo essas publicações, a escolha de Tadeu não foi consensual dentro da legenda. O próprio João Campos havia defendido outro nome para o cargo, o advogado Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ligado ao partido e próximo a lideranças como Tábata Amaral e Márcio França. A nomeação de Alencar, feita inicialmente por critério técnico do governo federal, acabou sendo vista como um gesto que desconsiderou a indicação partidária, gerando forte reação interna.
Diante desse cenário, a pressão pela substituição ganhou força. Relatos de bastidores indicam que o próprio João Campos atuou diretamente junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reverter a situação e garantir a indicação do nome defendido pelo partido.
A crise ganhou contornos ainda mais simbólicos porque Tadeu Alencar não aguardou o retorno de Lula da viagem oficial à Europa para deixar o cargo. A exoneração foi formalizada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que estava no exercício da Presidência da República no momento da decisão.
Para o lugar de Tadeu, foi confirmado justamente o nome defendido por João Campos: Paulo Henrique Rodrigues Pereira, professor de Direito da USP e quadro ligado ao PSB, consolidando a vitória política do grupo do prefeito do Recife dentro da legenda.
Nos bastidores, a saída de Tadeu já era tratada como inevitável diante da pressão interna e do risco de agravamento das divisões no partido. A crise expôs uma disputa entre alas do PSB e reforçou o peso político de João Campos no cenário nacional, especialmente em um momento em que ele se movimenta como pré-candidato ao Governo de Pernambuco.
Na nota de despedida, Tadeu Alencar afirmou que deixa o cargo “de cabeça erguida” e reforçou que não buscou a nomeação, defendendo que a política deve ser guiada por projetos coletivos. Ele também agradeceu a confiança do presidente Lula e destacou a importância da unidade partidária para a continuidade das ações do governo federal.
A rápida saída — menos de três semanas após a nomeação — evidencia o impacto direto das disputas internas do PSB no governo e antecipa o clima de tensão que deve marcar o cenário político rumo às eleições de 2026.
