27 de abril de 2018 às 16h27min - Por Mário Flávio

“O professor de Matemática em geral é um sádico. Ele sente prazer em complicar tudo” (Malba Tahan).

Muito difícil dizer hoje qual professor que marcou mais a minha vida, pois fiz parte de uma geração de grandes profissionais. Porém, ainda que eu levasse em consideração todo período em sala de aula, Honório Inácio estaria entre os cabeças da lista.

Discípulo de Malba Tahan, nome fictício de Júlio César de Melo e Sousa, matemático e escritor modernista pioneiro no Brasil na transmissão do ensino diferenciado na Matemática, Honório tornou-se marcante numa época (final dos anos 70) de autoritarismo militar. Fui seu aluno quando estudava no Colégio Sete de Setembro (ele também atuou no Municipal Alvaro Lins, Estadual Nelson Barbalho, Industrial Dom Miguel e Diocesano). E eu cresci naqueles anos onde cantávamos:

“Esse é um país que vai pra frente, oh, oh, oh, oh, oh!

De uma gente amiga e tão contente! Oh, oh, oh, oh, oh …” (Os Incríveis).

Vivíamos cercado de todos aqueles formalismos na classe de aula, e a figura do professor Honório, com aquele porte físico aparentava muito rigor, exigência, respeito, admiração e muita atenção em suas aulas, que nem de longe eram monótonas. Como ele conseguia isso? Com um equilíbrio raríssimo para época.

Sua postura didática era ensinar a matemática de uma forma divertida e diferente, o que nos desafiava aguçando a criatividade e incentivando descobertas. O quatro era fechado, não era aquela “cadeira de cabeça para baixo” e o sete não se cortava ao meio. Honório sentava tanto na cadeira quanto no birô do professor. Quando nos percebia distraído na aula quebrava um pedaço do giz e jogava no aluno. Ele conseguia transmitir o conteúdo de forma atraente e, apesar do bigodão aparentar um cara sisudo, seu largo sorriso e olhos brilhavam nos diversos momentos descontraídos com a turma.

Possuidor da arte de tornar o aprendizado da Matemática algo prazeroso e descomplicado, Honório foi um revolucionário de sua época e permaneceu influenciando gerações enquanto educador. Para ele, assim como Malba, a Matemática é uma senhora que ensina o homem a ser simples e modesto e a base de todas as ciências e de todas as artes.

Enfim, quantos alunos ainda hoje se queixam do excesso de memorização e dos cálculos repetitivos e não enxergam a utilidade dos conteúdos aprendidos? Quantos Professores despreparados não sabem o que fazer para tornar as aulas mais atraentes?

A tristeza da partida de Honório também nos leva a ser eternamente agradecidos pelo impacto que nos deixou. Nos desafiando a continuar fora da escola o que aprendíamos lá dentro, como uma ponte entre escola e vida.

*Paulo Nailson A. Lima

é colaborador


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro