18 de agosto de 2012 às 08h58min - Por Mário Flávio

Ex-democrata a atual presidente do PSD em Pernambuco, André de Paula esteve reunido com candidatos a vereador pelo partido em Caruaru, em um jantar de adesão no dia 14 de agosto, que contou com a participação do prefeito e candidato à reeleição Zé Queiroz (PDT). Em entrevista, André demonstrou confiança na reeleição do prefeito e se mostrou otimista também quanto ao desafio de reeleger os 4 vereadores do PSD na cidade, e ainda conseguir eleger mais 2 novos candidatos para a bancada da Câmara. André cita que Queiroz tem os apoios  de Lula, Dilma e Eduardo Campos como reforço na candidatura e aposta que o número de inserções comerciais durante o guia também deve ajudar o prefeito na eleição. No entanto, o presidente do PSD avaliou também que, na hipótese de Zé Queiroz perder a eleição, Eduardo Campos não faria retaliação à administração futura.

Confira a entrevista

André, qual a situação do PSD hoje no estado?

Nós vamos disputar 37 prefeituras e destaco que dessas, 7 são mulheres, somos o partido que vai apresentar o maior numero de candidatas a prefeita, alias todas elas com muita chance de êxito; então isso me faz crer que nós temos condições de avançar além dos 20 prefeitos que temos atualmente. Se colocar vice-prefeitos em cidades diferentes, estamos participando de aproximadamente 70 chapas majoritárias. E é preciso destacar também que como nós somos hoje o partido que tem o maior numero de vereadores, mais do que o PSB e o PT, nós temos 304 vereadores, e em cidades como Caruaru, como Surubim, como Recife onde somos amplamente majoritários na câmara, nós levamos em conta a questão de uma coligação que permitisse competitividade a um volume de parlamentares de expressão como esse que nós temos.

Aqui em Caruaru, o partido ficou num chapão dificílimo para reeleição dos quatro vereadores e mais dois candidatos que tentam pela primeira vez. Você acredita ser possível reeleger esses vereadores e até ampliar a bancada na Câmara?

Eu discordo. Vou discordar me valendo da minha experiência pessoal. Eu sempre fiz opção por chapa em que você elegesse o maior número de parlamentares ainda que você tivesse nessa chapa um número maior de parlamentares com muito voto. Eu sempre corri de chapinha que se tem um ou dois que se elegem, e que você não tem a perspectiva além daqueles dois ou daquele que se elegeu, porque inclusive você não tem vínculo de compromisso com o candidato majoritário; por exemplo, no Recife, os nossos 5 vereadores estão no chapão que dá suporte a Geraldo Júlio. Eu não tenho medo de dizer que lá nós vamos eleger 17 dos 23 vereadores, e que, além desses 17, nós vamos ter mais 4 ou 5 participando do governo municipal e do estadual. Portanto eu acho uma situação de grande conforto, porque se você não conseguir estar no meio de 21, faltou foi voto.  Então eu diria o seguinte, que eu acho que todos, fazendo uma análise fria, tem muito boas condições de estar entre os que vão se eleger no chapão. Então eu acho que não dá pra reclamar, talvez como hoje existam aritméticas que conduzem parlamentares à câmara municipal sem votos. Isso existe, você sempre inclinado a encontrar essa mágica; mas não dá pra você depois de 4 anos de mandato na câmara, está procurando uma alquimia, eu acho que você tem que procurar um julgamento do seu trabalho. Eu acho que o chapão fará muito além dos nossos 5 candidatos, não há porque não torcer, não acreditar que nós possamos no chapão do prefeito Zé Queiroz ter uma participação até dos nossos 6 companheiros.

As últimas pesquisas mostram um cenário de dificuldade para a reeleição de Zé Queiroz e historicamente há uma disputa dura na cidade. Como vocês em Recife estão percebendo as mobilizações para a campanha majoritária em Caruaru

Olha, eu estou muito otimista. Há 8 anos eu estava ao lado do meu companheiro, Tony Gel, candidato a prefeito. Eu me lembro que quando Tony Gel partiu, ele cogitou firmemente de nem fazer isso, mas houve um apelo e um suporte partidário do então governador Jarbas Vasconcelos para aceitar o desafio de disputar as eleições. Ele mexeu na chapa, chamou o deputado Roberto Liberato para compor a vice e começou, se não me engano, com 40 pontos atrás, mas foi o prefeito de Caruaru. Queiroz faz uma grande administração, nunca esteve atrás. Tem os três maiores apoios disputados à tapa pelo Brasil, que são Lula, Dilma e Eduardo Campos. Tem três senadores, tem dois terços dos deputados federais, quantos estaduais ele quiser juntar aqui para fazer até uma festa de São João. E tem um conjunto de obras que será julgado pela população, mas eu não tempo por esse julgamento, pois acredito que estamos bem.

Eduardo Campos não veio a Caruaru ainda, a não ser no dia da convenção de Zé Queiroz, e a expectativa é de que ele venha pouco à cidade , por conta da campanha de Geraldo Júlio. Você acredita que isso pode interferir negativamente na campanha de Queiroz?

Caruaru é uma cidade diferente e que tem dois instrumentos diferentes. Aqui há tempo de televisão. Aliás, ele tem uma grande dificuldade: preencher o tempo extenso do qual ele dispõe no guia eleitoral. Mas, esse não é o principal ativo na campanha. O principal é o mesmo que Geraldo Júlio tem, que são as inserções comerciais. Geraldo tem 1200 inserções. Queiroz ainda tem mais inserções que isso. Em 45 dias, você tem 1200 inserções que fazem com que você acompanhe o cara no café, no almoço, assistindo Xuxa, ou seja, você vai “comer Queiroz pela frente”. Isso é um ativo para Eduardo e outras lideranças colocarem a cara nas inserções e demonstrarem  o apoio ao prefeito. Mas veja que eu não estou dizendo que, na hipótese de Queiroz não ganhar, Eduardo fosse retaliar Caruaru, isso não existe. O governador faz política com “p” maiúsculo. Mas sem dúvida, essa parceria que se estabeleceu entre Queiroz, prefeito de Caruaru, e Eduardo vai funcionar, mesmo que o governador não esteja na cidade com regularidade. E é preciso lembrar ainda que Eduardo é presidente do PSB e é muito cobrado por candidatos por todo o país.

Em 45 dias, você tem 1200 inserções que fazem com que você acompanhe o cara no café, no almoço, assistindo Xuxa, ou seja, você vai comer Queiroz pela frente (André de Paula)

Como você analisa o rompimento entre Queiroz e João Lyra? Como isso pode afetar a campanha?

Eu acho que isso é um mal estar passageiro. A gente gostaria que João Lyra estivesse no palanque, pois eu acredito que todo eleitor de João vote em Queiroz. Eu não vejo um eleitor dele votando em Miriam. Claro que gostaríamos de uma absoluta harmonia e que o vice-governador estivesse à vontade para subir no palanque. Mas, não dá pra tapar o sol com a peneira. A presença física não vai acontecer, mas eu não tenho nenhum receio de que isso possa afetar a campanha, porque Caruaru, que depois de Recife é – e eu tenho até temor de dizer isso em outras cidades – o município mais importante do estado, possui algo muito curioso: a polarização. Aqui, só há vermelho ou amarelo, não adianta uma liderança deixar de participar do palanque, pois isso não vai afetar a decisão dos eleitores.

Em vídeo, André de Paula declara apoio à candidatura de Zé Queiroz


Comentários


...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro