Aliança amplia força de Raquel, mas acirra disputa interna por vaga ao senado entre Miguel e Dudu da Fonte

Mário Flávio - 04.05.2026 às 06:32h

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, deve oficializar nos próximos dias a adesão do Partido Progressistas (PP) ao seu projeto de reeleição. A legenda é comandada no estado pelo deputado federal Eduardo da Fonte, que também preside a Federação União Progressista — bloco formado por PP e União Brasil.

Na prática, o movimento consolida um reforço estratégico importante para o palanque governista. Isso porque o União Brasil já integra a base de apoio de Raquel por meio do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, ampliando agora o peso político da federação. Além da musculatura eleitoral, a aliança impacta diretamente no tempo de propaganda no rádio e na televisão, colocando a governadora em condições mais equilibradas na disputa com seu principal adversário, João Campos.

Apesar do ganho político, a composição da federação traz consigo um desafio delicado: a definição de quem representará o grupo na disputa pelo Senado. Com duas vagas em jogo em 2026 e apenas dois espaços por chapa, a concorrência interna se intensifica.

Uma das vagas no palanque de Raquel, teoricamente, já está encaminhada para o deputado federal Túlio Gadelha, fruto de um acordo político que dialoga com o campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia reforça a construção de dois palanques lulistas em Pernambuco — um liderado por João Campos e outro pela própria governadora.

Com isso, resta apenas uma vaga disponível, justamente a que concentra maior tensão dentro da base governista. De um lado, Miguel Coelho busca consolidar sua pré-candidatura com o respaldo do União Brasil. Do outro, Eduardo da Fonte também se coloca como opção competitiva, utilizando sua influência partidária e articulação política para pleitear o espaço.

A disputa, no entanto, não se limita aos dois. O senador Fernando Dueire, atualmente no PSD após deixar o MDB durante a janela partidária, também permanece no páreo em busca da reeleição, ampliando ainda mais o cenário de indefinição.

O ambiente político recente evidencia essa concorrência. Em evento realizado na Arena de Pernambuco, a governadora reuniu, no mesmo espaço, os principais postulantes ao Senado em seu palanque — Dueire, Túlio Gadelha, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte — em um gesto que simboliza tanto a força da aliança quanto a complexidade da decisão que terá de ser tomada.

Nos bastidores, a movimentação é intensa e remete a um cenário semelhante ao vivido por João Campos antes de fechar sua própria chapa, quando também enfrentou múltiplas pré-candidaturas ao Senado até consolidar uma composição.

Para Raquel Lyra, o desafio agora será transformar a ampliação da base em unidade política, equilibrando interesses internos sem comprometer a estratégia eleitoral para 2026.