Alexandre de Moraes mantém prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça investigado no caso do 8 de janeiro

Lucas Medeiros - 20.04.2023 às 19:12h
(Imagem: Carlos Moura/ STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve nesta quinta (20) a prisão preventiva do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson está preso há mais de 90 dias por suposta omissão nos ataques de 8 de janeiro.

No despacho, Alexandre argumenta que a manutenção da prisão é justificada “por depoimentos e testemunhos que apontam indícios da participação de Anderson Torres em tentativas de dificultar a votação no segundo turno das eleições de 2022”.

De acordo com o ministro, ainda estão presentes os requisitos para a manutenção da prisão de Torres, decretada em 12 de janeiro, “reforçados por atos e fatos supervenientes” que “fortaleceram a necessidade da segregação da liberdade durante a continuidade da investigação criminal“.

Entre os fatos, Alexandre elenca “depoimentos de testemunhas e apreensão de documentos que apontam fortes indícios da participação do requerente na elaboração de uma suposta “minuta golpista” e em uma “operação golpista” da Polícia Rodoviária Federal para tentar subverter a legítima participação popular no 2º Turno das eleições presidenciais de 2022″.

Não bastasse isso, o requerente ANDERSON GUSTAVO TORRES suprimiu das investigações a possibilidade de acesso ao seu telefone celular, consequentemente, das trocas de mensagens realizadas no dia dos atos golpistas e nos períodos anterior e posterior; e às suas mensagens eletrônicas. Somente – mais de 100 dias após a ocorrência dos atos golpistas e com total possibilidade de supressão das informações ali existentes – autorizou acesso às suas senhas pessoais de acesso à nuvem de seu e-mail pessoal“, diz o ministro.

Em manifestação da segunda (17), o Ministério Público Federal foi favorável à soltura do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. O órgão defendia a substituição da prisão pelo cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e o veto ao investigado de se retirar do DF e manter contato com outros alvos da operação.

Um dos principais conselheiros do ex-presidente Jair Bolsonaro após a derrota eleitoral, o ex-ministro se tornou peça-chave das apurações da Polícia Federal sobre os responsáveis pelos ataques golpistas de 8 de janeiro. Ele era o secretário de Segurança Pública do DF no dia dos atentados, mas estava fora de Brasília devido a uma viagem com a família para a Disney.

Durante um mandado de busca e apreensão cumprido no dia 12 de janeiro, a PF encontrou em sua residência uma minuta com o timbre do governo, cujo texto apócrifo “decretava” o “Estado de Defesa” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois dias depois, ele foi preso ao desembarcar de um voo dos Estados Unidos, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes.