4 de junho de 2018 às 17h28min - Por Mário Flávio

No primeiro pregão após a saída de Pedro Parente do comando da Petrobras, as ações estatal abririam o dia com valorização de mais de 6%. Na sexta-feira (1), a renúncia de Pedro Parente havia a derrubado os papéis da empresa, que se recuperou nesta segunda-feira (4). Às 10h20, as ações preferenciais da petrolífera na Bovespa registravam alta de 6,93%.

Agora, sob o comando de Ivan Monteiro, diretor-executivo da área financeira e de relacionamento com investidores, a estatal ajuda a elevar o índice da Bolsa brasileira, que também, até às 10h20, operava em alta de 1,5%, aos 78.447 pontos.

A troca no comando da estatal acontece em meio a críticas à política de preços de combustíveis da empresa, que culminou na greve de caminhoneiros e petroleiros, causando uma séria crise de abastecimento por todo o país. Em ano eleitoral, o assunto virou pauta entre os presidenciáveis. Três dos quatro pré-candidatos mais bem colocados na última pesquisa de intenção de voto CNT/MDA divulgada em maio comentaram a troca de comando na estatal.

Presidenciável pelo PDT, Ciro Gomes criticou a gestão de Pedro Parente. Para ele, o ex-presidente da Petrobras colocava o interesse do mercado acima do interesse nacional.

“No meio de uma crise extraordinariamente grave como a que nós vivemos recentemente pela greve dos caminhoneiros, dos petroleiros e o desabastecimento que mexeu com a vida de todo mundo, o cidadão ainda tem o desplante, o despudor de aumentar a gasolina em quase 1%, apenas em um dia, no meio da crise. Essa falta de respeito é uma política do PSDB. É uma política que quer valorizar o financismo, que quer valorizar a especulação financeira em detrimento seja de qual interesse for, especialmente do interesse popular e do interesse nacional brasileiro”.

Ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, Ciro Gomes também disse que, caso eleito, trocará a política de preços da estatal.

“É preciso exigir que a política de preços que ele impôs seja trocada. E ela não pode ser trocada por nada de demagogia. Apenas o seguinte: hoje, eles estão transferindo o preço do barril de petróleo da especulação estrangeira para dentro do Brasil, quando o custo da Petrobras é muitas vezes menor que o custo do petróleo lá fora”.

Pré-candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmin disse, no Twitter, que é preciso preservar os avanços alcançados pela gestão de Parente na empresa. “O importante nesse momento é não desperdiçar o trabalho de recuperação da Petrobras”.

Com a saída de Pedro Parente, o importante nesse momento é não desperdiçar o trabalho de recuperação da Petrobras. Precisamos definir uma política de preços de combustíveis que, preservando a empresa, proteja os consumidores.

— Geraldo Alckmin (@geraldoalckmin) 1 de junho de 2018

Também no Twitter, Marina Silva, da Rede escreveu que “apesar de ter feito uma gestão bem avaliada pelo mercado”, falou sensibilidade a Pedro Parente “ao repassar o aumento do preço do combustível direto ao consumidor”.

Tudo é feito de afogadilho, ao sabor de circunstâncias, sem planejamento, sem reflexão e principalmente sem legitimidade. A saída de Pedro Parente revela, assim, as dificuldades desse governo apresentar soluções efetivas e sólidas para a crise que vive o país.

— Marina Silva (@MarinaSilva) 1 de junho de 2018


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro