4 de dezembro de 2011 às 23h29min - Por Mário Flávio

Luz, Câmara e ação…  Preparem-se!  Em 2012, mais um mega-espetáculo estará prestes a sacudir o Brasil, não se trata de nenhum evento de Rock ou competições esportivas, mas do espetáculo político que vem se tornando o processo eleitoral brasileiro. O sistema eleitoral na forma como está orquestrado, o qual vem se intensificando a cada ano eleitoral, ameaça seriamente os fundamentos do Estado Democrático e os princípios e conceitos do que se entende por cidadania. De evento cívico, no qual se expressa o espírito público de uma coletividade, as eleições tornaram-se um show midiático de entretenimento das massas.  Os candidatos deixaram de ser pessoas de carne e osso e tornaram-se um rótulo, uma marca ou um produto como qualquer outro de uma sociedade de consumo.  Verdadeiras marionetes manipuladas com destreza por hábeis marqueteiros que controlam suas ideias, falas, gestos e atos. O marketing inverte o mundo real e cria um ambiente fantasioso e alucinante, onde o candidato realiza sua apoteose circense para uma plateia alienada do que vê e presume entender.

Os partidos políticos perderam seu significado e sua identidade, a grande maioria da população não sabe distinguir um dos outros, muito menos sua importância e a razão de ser da sua existência. Neste mundo surreal onde o trágico e o cômico caminham de mãos dadas, os políticos candidatos, vestem e interpretam um personagem a cada eleição. A questão decisiva a cada eleição, que movimenta a mente e o coração dos políticos profissionais, não é entender em profundidade a realidade econômica, social e política em que estão inseridos, ou quais são as reais necessidades do povo, e sim, como financiar sua campanha.  Ou seja, antes de procurar um partido, formar um grupo, construir uma plataforma, o candidato procura quem o financie e a sua estratégia de sucesso passa necessariamente pelo dinheiro e quais mecanismos utilizará para conseguir. O padrão se estabelece e se difunde, primeiro o dinheiro, depois o voto.

Para se ter uma ideia, entre as eleições de 2002 e 2010, os recursos de doações declarados oficialmente quintuplicaram de pouco mais de 670 milhões para cerca de 3,4 bilhões de reais. Observando este cenário, a constatação torna-se óbvia: a lógica do capital define os rumos e as regras da democracia brasileira. O que poucos perguntam é: como se dá? E por que meios se dá o retorno dos investimentos financeiros, que determinados indivíduos ou grupo fizeram por meio de doação a um candidato?

O financiamento privado de campanha eleitoral como está concebido, traz enormes distorções, perigos e prejuízo à democracia.  Entre os desvios de natureza, ética, moral e política, o mais sério é colocar o poder econômico dos financiadores de campanha, como elemento decisório de qualquer pleito eleitoral.  É desta relação cordial e amorosa entre o público e o privado que nasce o nepotismo, o clientelismo, o patrimonialismo e os mais diferentes tipos e práticas de desvios de conduta. É na estruturação desta teia de relacionamentos recíproca e de intimidade que se explica a gênese da corrupção na sociedade brasileira. Na medida em que se estabelece um ciclo vicioso e perverso, onde o eleitor e o conjunto da população pagam um preço altíssimo por cada campanha eleitoral. E o pior, sem saber quanto pagam, como pagam e a quem pagam? A consolidação da democracia brasileira passa necessariamente pela reforma radical do modelo eleitoral vigente, que o torne mais democrático e competitivo, no qual as eleições sejam o momento do exercício público da cidadania e não um investimento lucrativo para poucos.

Arnaldo Dantas


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro