7 de maio de 2014 às 09h44min - Por Mário Flávio

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Foi realizada na sede do Ministério Público de Pernambuco uma reunião para definir o futuro do desfile das Drilhas no São João de Caruaru. No entanto, um anúncio da prefeitura chamou atenção diante do que pretende o executivo. Devido a obra de requalificação das Avenidas Agamenon Magalhães, Manoel de Freitas e Rio Branco, não serão mais permitidas manifestações nas principais vias do centro da cidade. O coordenador de eventos da prefeitura, Marcílio Santos, explicou que a decisão tem a intenção de preservar as Avenidas de uma possível depredação.

“Essa foi a orientação do prefeito José Queiroz. Estamos em ano de Copa do Mundo e podem haver manifestações. Eventos como a caminhada do ICIA, Parada Gay e o Desfile de 7 de setembro deverão ser relocados para outro lugar”, disse. Sobre uma possível infração ao direito de ir e vir, Santos disse que as proibições são para situações que dependem da autorização da prefeitura, mas que em outros casos as vias poderão ser liberadas. “Não sei como irão ficar a situação de caminhadas e carretas na política, isso é algo que ainda não temos resposta. As manifestações também devem ocorrer em outro lugar, não serão mais permitidas ali”, pontuou.

A reunião foi comandada pelo promotor Paulo Augusto. Ele disse que o ano é diferenciado devido a Copa e por isso, a situação dos desfiles ou manifestações, podem trazer problemas para o patrimônio e sugeriu ao representante da prefeitura que o chefe do executivo assine um decreto para oficializar a decisão. “Não é só o direito de ir e vir que está sendo inobservado. Estamos falando da questão de autorização do espaço público para eventos é um poder discricionário do poder público municipal. Estamos avaliando e é preciso que a sociedade tenha consciência que estaremos num período de Copa e a própria Polícia Militar coloca que existe a possibilidade da realização de movimentos sociais. Estamos buscando evitar a depredação do patrimônio público e encontrar um local que atenda as expectativas da sociedade e representantes das Drilhas. Nós do Ministério Público estamos procurando o equilíbrio das situações, não temos opinião formada, mas estamos buscando um evento cada vez mais seguro para a sociedade”, disse.

A professora doutora em ciência política, Ana Maria de Barros, criticou a decisão e disse que esse tipo de ação vai de encontro ao que pensa a maioria da população. “Tal comportamento autoritário, reflete o modelo clientelista do governo atual, que não dialoga, apenas propõe ações verticalizadas, de cima para baixo, desrespeitando as opiniões contrárias. Só nos falta em Caruaru agora toque de recolher e construção de campos de concentração para esconder a oposição. Retirar os protestos e passeatas vai sem dúvida ser interessante para quem não quer ouvir os gritos dos descontentes, afinal as imagens de protestos nas ruas de Caruaru continuam dando visibilidade a um governo reacionário e truculento”, disse em referência aos recentes protestos dos professores de Caruaru, que estão em greve há 72 dias.

Na próxima sexta-feira (09) uma nova reunião vai ser realizada no MPPE para que o TAC seja assinado com as mudanças nos locais dos desfiles e proibições de manifestações.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro