29 de novembro de 2015 às 08h50min - Por Mário Flávio

  
Do Jornal Vanguarda, por Pedro Augusto

Em coletiva realizada na manhã da última sexta-feira (27), na sede da Delegacia Regional de Caruaru, entre os bairros Boa Vista I e II, a Polícia Civil, juntamente com o Ministério Público, apresentou detalhes do primeiro inquérito concluído da Hipócrates. Desencadeada no dia 11 deste mês, nas cidades de Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaimbó e Recife, a operação desarticulou uma extensa organização criminosa que vinha atuando principalmente nas dependências do Hospital Regional do Agreste. Composta por médicos, auxiliares de enfermagem, um chefe de enfermagem e uma comerciante, a quadrilha estaria utilizando-se do desespero dos pacientes da unidade para cobrar por serviços garantidos pelo SUS.

Ao todo, na Hipócrates, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão. Doze supostos integrantes acabaram sendo indiciados. As novidades desta última em relação à primeira coletiva – realizada no dia 12 deste mês – ficaram por conta da inclusão, como suspeito, do nome do médico Marcos Bezerra e do agora colíder e não mais apenas integrante, o médico Pablo Thiago. Este último, segundo as investigações da polícia, comandava, em conjunto com o chefe de enfermagem do HRA, Thiago Emanuel, o esquema de captação de pacientes.

“De propósito, a organização dificultava o atendimento de uma forma tal que os pacientes ficavam desesperados e acabavam cedendo à pressão dos auxiliares de enfermagem, que exerciam as funções de captadores. Iludidos com a conversa de que seriam ajudados por eles, as vítimas acabavam desembolsando quantias – entre R$ 4 mil e R$ 12 mil – para se submeterem a procedimentos cirúrgicos, em sua maioria ortopédicos, tanto no HRA como na rede privada”, recordou o gerente operacional da Dinter 1, Erick Lessa. Ainda na coletiva, o policial deu detalhes sobre as supostas participações de Marcos e de Pablo Thiago.

“Colhemos provas robustas de que o Pablo Thiago coordenava, em conjunto com o Thiago Emanuel, os trabalhos de captação. Além disso, estaria realizando, desde o ano passado, procedimentos cirúrgicos sem a indicação de necessidade, bem como uso de material ortopédico além do prescrito. Quanto ao Marcos Bezerra, que atuava como chefe de ortopedia do HRA, também integrava a organização, mas não na função de líder”, acrescentou Lessa.

Além de Marcos, que contra ele foi expedido o mandado de condução coercitiva, também permanecem em liberdade os suspeitos Ricardo Marinho (médico) e Maria da Paz da Silva (auxiliar de enfermagem). “Não solicitamos as prisões preventivas dos mesmos porque precisávamos de provas robustas, o que ainda não foi identificado. Mas, atualmente, eles se encontram nas condições de indiciados com a aprovação do Ministério Público”, explicou Erick Lessa.

Em paralelo aos supostos líderes, também já se encontram recolhidos em unidades prisionais do Estado o médico Bartolomeu Bueno, a comerciante Maria Aparecida de Lima e os auxiliares de enfermagem Almir da Silva, Claudiomiro da Silva, Luiz Emídio da Silva, Jamesson Luiz da Silva e Severino Ramos dos Santos.

Conforme ressaltou o promotor do Ministério Público de Pernambuco, Luiz Gustavo, o inquérito concluído refere-se apenas ao primeiro da Operação Hipócrates. “Esse correspondeu somente ao crime de organização criminosa, mas à medida que as investigações sobre os demais – tráfico de influência e prevaricação – forem concluídas, outros inquéritos serão constituídos e a polícia também apresentará denúncias junto ao MP”. Pelo crime de organização criminosa, os suspeitos poderão pegar de três a oito anos de reclusão.

A reportagem do Jornal VANGUARDA tentou entrar em contato com os advogados dos presos, porém não obteve êxito.

Entenda o caso

Clínicas, consultórios médicos e casas do Agreste e do Recife, além do Hospital Regional do Agreste (HRA) e um hospital particular de Caruaru, foram os lugares abordados pelos policiais. Participam da operação 100 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a “Operação Hipócrates” teve o objetivo de cumprir nove mandados de prisão, dois de condução coercitivos e 16 de busca e apreensão. As investigações tiveram início em julho deste ano. Participam da operação 100 policiais civis entre delegados, agentes e escrivães.

Os médicos Pablo Thiago Cavalcanti e Bartolomeu Bueno Motta são suspeitos de integrar um grupo que extorquiu R$ 5 milhões de pacientes da rede pública nos últimos dois anos, segundo a Polícia Civil. Na quarta-feira (18), o último mandado de prisão foi cumprido, já que o suspeito estava foragido. De acordo com Erik Lessa, Jamesson Luiz da Silva – o “Janequine” – admitiu que participava do suposto esquema. O diretor operacional explicou que recai sobre Jamesson os crimes de associação a organização criminosa e corrupção passiva.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro