Oposição bolsonarista intensifica pressão na Câmara para aprovar anistia aos condenados do 8 de Janeiro

Mário Flávio - 02.04.2025 às 08:24h

A oposição bolsonarista na Câmara dos Deputados decidiu ampliar a pressão política para tentar garantir o avanço do projeto que concede anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023, quando a sede dos Três Poderes foi invadida em Brasília.

Como parte da estratégia, os parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro iniciaram uma obstrução total dos trabalhos legislativos. A medida tem como objetivo travar a votação de qualquer outra matéria nas comissões e no plenário da Casa, obrigando a Presidência da Câmara a colocar em pauta o projeto de anistia.

Além da obstrução, os deputados bolsonaristas conseguiram articular a criação de uma subcomissão especial do 8 de Janeiro no âmbito da Comissão de Segurança Pública, presidida pelo PL, principal partido da oposição. O objetivo do colegiado é revisar as circunstâncias dos processos e as penas impostas aos envolvidos nos ataques, fortalecendo o discurso de que houve excessos nas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, aliados afirmam que a criação da subcomissão busca não apenas pressionar o Congresso, mas também alimentar a narrativa de perseguição contra apoiadores do ex-presidente. O discurso vem sendo reforçado por nomes ligados ao bolsonarismo nas redes sociais.

Um dos casos que ganharam repercussão nos últimos dias foi o do influenciador digital Léo Índio, primo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e réu pelos atos do 8 de Janeiro. Ele afirmou, pelas redes sociais, que pediu asilo político na Argentina, alegando ser vítima de “perseguição política” por parte do STF. O pedido gerou forte reação entre setores do governo e de partidos de esquerda, que classificaram a ação como tentativa de deslegitimar as instituições brasileiras.

Nos próximos dias, a expectativa é de que a base governista reforce a articulação para tentar conter o avanço da proposta de anistia, enquanto a oposição seguirá utilizando todas as ferramentas regimentais para emparedar a pauta legislativa e manter o tema em evidência.