1 de fevereiro de 2012 às 09h30min - Por Mário Flávio

Sir Francis Drake (1540 – 1596), uma lenda de seu tempo. Precursor do Poderio naval da Inglaterra. Notabilizou-se pela sua ousadia ao desafiar e vencer a superpotência do século XVI, o Império Espanhol de Felipe II. Recebeu ainda em vida a admiração do povo inglês e o respeito, carinho e afeto da Rainha “virgem” Elizabeth I (1533 – 1603).

Indagado certo dia por sua Rainha: o que mais temia como capitão ao cruzar os oceanos e a conhecer povos e regiões tão estranhas e inóspitas? Ele respondeu de forma serena: um verdadeiro Capitão não teme as tempestades, as calmarias, a precariedade das longas viagens e muito menos o poder de fogo do inimigo. O maior fracasso e desonra de um capitão é quando seus subordinados não acatam as ordens de seus superiores, questionam e conspiram contra sua autoridade, e o mais desastroso, é quando seu navio naufraga por imprudência ou imperícia de seus tripulantes.

O medo de complôs, conspirações, sedições e traição ou um simples “deslize” e desvio de conduta de seus subordinados, perturba a mente do governante. Eles sabem por instinto que ao longo de toda a história as chamadas conspirações palacianas foram e tiveram mais sucesso na alternância de poder que muitas batalhas e guerras (ou eleições).

O exercício do poder exige que o bom governante mantenha um olho atento no inimigo e outro ainda mais nos amigos. Afinal de contas os inimigos são fáceis de conhecer e pode-se combater por métodos e estratégias racionais, o difícil é conhecer quem são os amigos e principalmente os aliados.

O poder é fugaz, a temporalidade corrói os mitos. “O líder”, não convive com os simples mortais, não está no mesmo plano Astral. Mas seu crepúsculo ocorre quando sua divindade é revelada (desnuda). Quando se mostra, como qualquer ser humano, frágil, falível e mortal.

Neste momento, basta qualquer sinal de vacilo, insegurança, fraqueza, erro ou uma simples queda na pesquisa, para que se crie o clima e o ambiente ideal para as delações e traições. Os conspiradores são todos àqueles que em algum momento se acharam traídos, em seus princípios (“éticos’, financeiros, profissional…).. Qualquer mudança no contexto político pode transformar em um pequeno lapso de tempo, um reles bajulador desqualificado em hábil e potente conspirador.

O que se chama fogo amigo, nos dias de hoje, já teve vários nomes, denominações e significados no passado. Porque quem o conduz conhece a liturgia do poder, conhece na intimidade e até nas minúcias os pontos fracos dos governantes, sabe de seus segredos, caprichos e pecados, pois compartilham a mesma mesa e muitas vezes escritórios, gabinetes e até a cama. Eles são quem fornece à logística bélica à oposição, que por pequena que seja, pode penetrar no castelo pelos seus alicerceis e destruir suas muralhas e torres, apropria-se do trono e conquistar todo reino.

Na contemporaneidade, os nossos governantes perderam a intuição de Drake, não sabem gerenciar um governo como capitão comandava um navio. E muitos perderam o controle sobre seus imediatos, ao lotear ministérios ou secretarias. Permitiram que qualquer luz sobre a penumbra, revelasse o caos em que administrativo Público se encontra. .

Francis Drakes nos ensinou que ao se programar uma longa viagem, deve-se observar nos mínimos detalhes a estrutura do os navios, deve-se cuidar dos mantimentos, ter homens capacitados, imediatos, competentes e a cima de tudo, deve-se exterminar os ratos. Os ratos talvez sejam no reino animais os seres mais espertos e oportunistas, pois sabem com precisão a hora de embarcar e são os primeiros a deixarem o navio quando esse vai a pique.

Só com transparência administrativa e participação popular na gestão pública, se evita que os “ratos” dominem os homens, e toda sociedade, mesmos que alguns governantes não saibam a diferença entre eles.

 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro