2 de maio de 2012 às 13h57min - Por Mário Flávio

Caro Mário Flávio,

Os artistas da Caruaru de hoje já não são se deixam enganar. A partir da implantação de um modelo humanizador, popular e, acima de tudo, democrático a instalado em 2001, eles passaram a dividir o gabinete da presidência e da diretoria de Cultura na Fundação de Cultura, como antes nunca havia acontecido. Isto possibilitou uma liberdade ampla e irrestrita de debater a participação da classe artística nas decisões conjunturais e nos eventos da cidade, antes aplicado apenas a uma “panelinha” que deitava e rolava naquela autarquia.

Quando percebo que artistas e produtores locais já não aceitam “goela abaixo” a imposição da prefeitura, cujos projetos insistem em não debater (quem não lembra da Lei de Fomento à Cultura, modificada na marra pelos artistas) isso demonstra que nossa passagem pela Fundação de Cultura determinou novos horizontes para a classe, com a liberdade de expressão e a luta pelos seus direitos sendo a tônica.

Portanto, quando leio afirmações como a do atual diretor da Fundação, Djair Vasconcelos, de que “os artistas de hoje são valorizados”, chego a me contorcer de tanto rir. O que tem sido feito pela Fundação de Cultura para valorizar estes artistas? Que nível de qualificação tem sido aplicado? Na nossa gestão, quando assumimos, os trios pé de serra sequer sabiam tocar a célebre Feira de Caruaru, de Onildo Almeida.

Os palcos do São João eram ruins e (pasmem!), de diferente tamanho (sempre menores) para os cantores e bandas locais. Chegamos a capacitar mais de 300 artistas de áreas como dança, teatro, artes plásticas e fotografia com grande nomes nacionais dessas linguagens e em parceria com o Ministério da Cultura. Trouxemos grandes expressões do mundo cultural brasileiro, como o Teatro Galpão e o maestro Arthur Moreira Lima, para exibições em praça pública. Isto tudo ainda nem reflete todo o trabalho que foi feito de verdadeira valorização da Cultura Popular, com projetos para a Zona Rural, com apoios imprescindíveis aos grandes festivais de repente e a contínua participação de poetas em todos os eventos da cidade.

O único discurso que o atual governo tem para nos rebater é o do Memorial de Caruaru, atestando seu total desconhecimento sobre nossa defesa do patrimônio cultural da cidade. Tivemos problemas com o Memorial, sim. A empresa contratada para execução dos serviços nos deixou na mão. Porem, em matéria de patrimônio Cultural, vale lembrar revitalizamos o Museu de Vitalino, no Alto do Moura, que (pasmem de novo!), estava desabando.

O que falar então do título de Patrimônio Imaterial Brasileiro, num trabalho genial junto ao IPHAN? Além disso, reformamos definitivamente o Memorial do Mestre Galdino, também no Alto do Moura. Isto sem falar que a Casa de Cultura José Condé só foi revitalizada porque aprovamos o projeto em transformá-la em Pontão de Cultura, junto ao IPHAN, com verba anual de R$ 450 mil. Isto o atual governo não divulga de jeito nenhum.

 Posso garantir aos seu leitores, que quando chegar o momento político da comparação entre nossa gestão e a atual, a população de Caruaru terá a convicção do quanto nós fomos capazes de fazer.

CLAUDIO SOARES é atual assessor parlamentar da Alepe e diretor de Ações Culturais da Fundação de Cultura entre 2001 e 2008, na gestão de Tony Gel.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro