27 de setembro de 2013 às 09h55min - Por Mário Flávio

Em Gravatá, nestes dias de Conferência, conversei com dirigentes petistas e a fala é uma só: não há necessidade de entregar os cargos! Alegam que Eduardo está construindo o caminho dele para se fortalecer e até nem o consideram errado nisso, mas, que não vão repetir o gesto, pois o tempo é que vai determinar o melhor a fazer. Sabe-se que o PT vai eleger uma nova direção nacional no final deste ano, estadual e nos municípios e, esta direção vai determinar o novo rumo a seguir, inclusive dependendo da capacidade dela disso. No início do ano que vem o processo das convenções partidárias e ai sim, dependendo de como as coisas ficarem, haverá o rompimento.
Aqui em Pernambuco Transportes e Cultura estão com a legenda, e essa é uma orientação da Executiva nacional, assim como Ceará (Cid Gomes – PSB) que inclusive foi contra a entrega dos cargos no governo federal; No Espírito Santo (Renato Casagrande PSB); no Piauí (Wilson Martins PSB); no Amapá (Camilo Capiberibe PSB); Há dois casos interessantes: Na Paraíba governada pelo PSB (o PT é oposição) e no Rio Grande do Sul governado pelo PT o PSB que estava na gestão repetiu o gesto de Eduardo e saiu.

DILMA FICA
A pesquisa recente favorável a presidenta Dilma Rousseff, mesmo sendo ainda num período sem campanha oficial e a um ano de distância de acontecer, vai consolidando a reeleição. Dilma passou de 30% de intenções de voto em julho para 38% em setembro, enquanto a ex-senadora Marina Silva (que tenta fundar o partido Rede Sustentabilidade) caiu de 22% para 16%. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) oscilou de 13% para 11% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de 5% para 4%. Neste cenário, Dilma tem 38% dos votos, contra 31% de Marina, Aécio e Campos, mas quase um terço dos eleitores (31%) dizem não ter candidato.

RUPTURA ENTRE PSB E PTB
Ao que parece a única candidatura ao governo definida e colocada continua sendo a de Armando Monteiro (PTB). Também favorito em outra pesquisa recente, feitas as mesmas ressalvas da anterior, o fortalecimento do senador no interior e tendo todos os cenários favoráveis é um bom começo, mas seria o bastante para um rompimento?

É OU NÃO É?
A carta de Eduardo (PSB) sinaliza sua candidatura, mas não decide. O “sou candidato” ainda não saiu em nenhum lugar. Mas ele vai construindo esse processo com calma, e posicionando-se como jogador no tabuleiro de xadrez. Por que o silêncio dele próprio sobre a questão? Machado de Assis, profundo amante e conhecedor do jogo citado certa vez disse: “Xadrez é o jogo dos silenciosos.”

EM CARUARU
Há expectativas e muitas opiniões, mas não dá para encontrar uma só fórmula. Questionam-se quem o prefeito apoiaria caso Armando se mantenha candidato ao Governo e Eduardo tenha outro candidato para onde Zé iria, pois nem deve desfavorecer a possível chance do município ter seu senador (Douglas Cintra, que já assume Armando ganhando) sem quebrar o que vem construindo com Campos.

PCdoB
Lícius Cavalcanti permanece se afastando, com indicação que sai mesmo do partido para continuar construindo sua militância em outra legenda. O PCdoB deve eleger nova direção neste sábado, no Congresso Municipal.
Em pauta análise da conjuntura municipal e estadual, no âmbito nacional a análise dos 10 anos dos governos Lula e Dilma; o fortalecimento e crescimento do partido diante desse cenário político, econômico e social do Brasil; e o que pensa o PCdoB sobre as possibilidades e perspectivas que esse novo momento disponibiliza para o país. O 13º Congresso Nacional do PCdoB acontece em novembro. O atual Secretário de Organização e articulação Política, Lino Portela, deve ser conduzido a presidência da legenda.

JÁ TEM GENTE DE CARUARU DE OLHO
Já são 32 partidos no Brasil, caminhando para 34. Nasceu o Solidariedade (do Deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), e o Pros, Partido Republicano da Ordem Social (Euripedes de Macedo Jr., ex-vereador do interior de Goiás). O Pros com forte adesão de evangélicos. Com a Rede, de Marina Silva, à caminho e alguns outros também o país atinge o recorde histórico, ultrapassando 34 partidos, número alcançado nas eleições de 1990 e 1992.
Que interesses coletivos ou ideológicos fazem isso acontecer? Direita, Esquerda ou Centro? A gente consegue ter essa resposta em relação ao recém criado PSD?

III CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA
O clima de abertura da Conferência foi quente. Na ausência do prefeito e do Governador (havia previsão de ambos) praticamente toda mesa fez discursos calorosos e críticos em relação ao lugar costumeiramente dado a cultura pelos gestores. O clamor maior foi a cobrança de uma intervenção no Conselho de Cultura do Estado, que atrapalha o processo de adesão do mesmo com o Sistema Nacional de Cultura/SNC.

AGRESTE É DESTAQUE
A segunda maior delegação da Conferência foi a do Agreste, com apenas 6 delegados a menos que a maior, a da região metropolitana. Caruaru levou uma comitiva com 22 pessoas, com 19 delegados e três observadores, que participaram ativamente das reuniões e discussões. Na tarde de ontem, 26, a plenária votou as 4 propostas para serem encaminhadas para a III Conferência Nacional de Cultura, que acontecerá em Brasília em novembro, uma proposta saída daqui de Caruaru esteve entre elas.

PARA REFLETIR
“São todos democráticos em relação à política, mas aristocráticos em relação à cultura.” Paulo Coelho – Escritor brasileiro.

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Cursa Serviço Social. Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos.

 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro