31 de janeiro de 2013 às 09h55min - Por Mário Flávio

Em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980, um domingo, às 11h30, foi fundado o Partido dos Trabalhadores. Nascido das massas vindo a se tornar depois no maior partido de esquerda do Brasil e da América Latina. Não sei se esse título ainda cabe ao mesmo, pois o Partido Socialista da Venezuela também o reivindica.

Nesta e na próxima coluna (01/02) quero deixar minha impressão dos 33 anos de caminhada do partido e dos 10 anos que o mesmo tem à frente da nação. Partido que escolhi votar desde os 18 anos e que posteriormente me filiei (encontro-me no momento não filiado) pelas afinidades dos ideais que deram origem ao mesmo e, por entender que era um partido ao qual eu poderia eleger meus dirigentes, vindo inclusive poucos meses depois a servir a legenda nesta tarefa.

Desde o início tive a compreensão da importância de ser componente de uma das tendências internas, na visão que os rumos do partido estão sempre em disputa e são determinados a partir da tendência que o dirige. Neste sentido encontrei na Articulação de Esquerda (AE) maior coerência com a visão de PT dirigente, socialista, militante e revolucionário. Firmei amizades sinceras com homens e mulheres de caráter dos quais guardo respeito e admiração. Amizade que superou tempo e desentendimentos, não construídos sobre a cumplicidade no erro, mas sobre o confronto da verdade (“As feridas feitas pelo amigo são melhores do que as lisonjas do bajulador”). Quando amamos algo ou alguém não estamos livres de magoas ou decepções, mas a maturidade nos leva a revelar o oculto, relevar o superficial e aprofundar-se no que realmente interessa. Enquanto estive filiado permaneci na AE, e, caso volte, é onde pretendo permanecer.

DEZ ANOS DE GOVERNO PETISTA? – Há uma década, janeiro de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assumia a presidência do Brasil. As manchetes de outubro de 2002 destacavam a chegada do nordestino, metalúrgico, pernambucano e petista ao poder. Após 13 anos de espera e quatro tentativas, aos 57 anos, Lula viu o país inteiro acompanhar emocionado sua chegada ao Executivo. O Partido dos Trabalhadores depois de 22 anos de fundado alcançava enfim o poder máximo da nação.

Naquele ano, 2002, poucos dias após o petista ser eleito, estive junto com uma caravana de pernambucanos num encontro nacional do partido em São Bernardo do Campo, cidade berço da luta sindicalista que revelou o metalúrgico-presidente. Desde aquele momento já consciente de que o partido CHEGAVA ao governo, mas NÃO TINHA o poder. A vice do PL, a acomodação do PMDB, os acordos puxando ao centro e à direita vão ajudando Lula a governar.

Dez anos depois da posse, a sociedade organizada permanece pressionando o governo pelo cumprimento de bandeiras históricas. Sindicalismo tem mais espaço para dialogar. A esquerda brasileira tem conquistas sociais, divergência de avaliação, e o nosso país alcança nova posição diante do mundo. Ontem, poucas horas antes do tão repercutido discurso de Dilma, na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores, São Paulo, dirigentes das seis centrais CUT, CGTB, CTB, Força Sindical, NCST e UGT reiteraram a importância do sindicalismo brasileiro estar unificado para que retome o seu protagonismo e exerça pressão sobre o governo e o Congresso pela retomada do investimento público e em defesa da indústria nacional, fortalecendo o mercado interno e garantindo contrapartidas sociais.

Planejam mobilizar dezenas de milhares de pessoas até a Esplanada dos Ministérios em Brasília, no dia 6 de março, “Em defesa da cidadania, do desenvolvimento e da valorização do trabalho”. Um pouco depois teremos o chamado “Abril Vermelho”, organizado pelo MST e uma agenda de lutas vai mês à mês sendo construída até o grito dos excluídos, em setembro e, geralmente concluímos o ano com assembléias e congressos com delegados eleitos na base nos mais diversos movimentos.

Essa marca de ver os protestos como direito, os trabalhadores como agentes de transformação histórica, os movimentos sociais, ONGs, e o povo em geral como manifestantes e não desordeiros e baderneiros deve ser observada e sobrepor a triste realidade daqueles que chegando ao poder não souberam colocar como prioridade servir a nação. Embriagados pelo TER deixaram de SER referência de lutadores e lutadoras do povo. Deixando a “Mosca Azul” picá-los, assim como coloca Frei Betto. Como vejo o PT no Estado? Quais as perspectivas para o PT em nossa cidade? Na próxima sexta, escrevo sobre isso.

PROMESSA NÃO CUMPRIDA – Há quatro anos, o presidente reeleito Obama prometeu fechar a prisão (Guantánamo) em Cuba, mas cedeu às manobras articuladas pelos republicanos para mantê-la funcionando.

FÓRUM ECONÔMICO DE DAVOS – Desde 22 até 27/01 acontece o Fórum Econômico de Davos que reúne empresários, banqueiros e outros donos do dinheiro que parecem não dar a mínima para a crise na Europa (18 milhões de desempregados!).

OUTRO MUNDO É POSSÍVEL – Em 25 de janeiro de 2001, há doze anos, acontecia a primeira edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. 20 mil participantes 4.700 delegados de 117 países, 1.870 jornalistas credenciados, 420 oficinas. De conteúdo antineoliberal, é o contraponto do Fórum “Econômico”, dos ricos, em Davos. Em poucos anos, firma-se como referência.

Recentemente o FÓRUM SOCIAL foi desmembrado e acontece em etapas em diversas regiões do mundo. Interessadas em participar do Fórum Social Mundial (FSM) 2013, que acontecerá de 26 a 30 de março na Tunísia, país localizado na África do Norte, e terá entre os eixos temáticos assuntos como: “Por um aprofundamento radical dos processos revolucionários e da descolonização no sul e no norte”; “Por um mundo sem hegemonias nem dominações imperialistas”; “Por uma sociedade humana fundada sobre os princípios e os valores da dignidade, da diversidade, da justiça e da igualdade entre todos os seres humanos”; “Pela construção de processos democráticos de integração e de união entre os povos”; “Pela construção de alternativas ao capitalismo e a mundialização”, entre outros.

Desde 15 de janeiro e até 1º de fevereiro está aberta a etapa de registro das atividades no site, quando se indica todas as demandas necessárias para a realização da ação, como data, espaço, ferramentas, etc. já podem acompanhar os preparativos e toda a mobilização pelo site do evento: http://www.fsm2013.org/es.

PARA PENSAR – “A diferença entre quem entende de política e quem faz marketing político é que os primeiros partem do princípio de que o eleitor é inteligente e os segundos acham que o eleitor é imbecil.” Mauro Santayana – Jornalista

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Cursa Serviço Social. Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro