17 de dezembro de 2012 às 09h25min - Por Mário Flávio

Coluna publicada no Jornal Vanguarda

O pobre trabalhador brasileiro recebe pouco. Muitos estão no patamar de um salário mínimo, que é mínimo mesmo. Na maioria das vezes, nós, trabalhadores, temos um salário tão parco que nem chega ao final do mês e aí vai toda sorte de estratégia: dívidas no cartão, caderneta na venda, empréstimo de parentes generosos com prazo a perder de vista… Mas há uma esperança: o reajuste anual. O desencanto, entretanto, fica no momento do mesmo que não excede o percentual da inflação acumulada no período de um ano, ou seja, aumento mesmo só nos sonhos, já que a realidade é cruel.

Bem melhor é a situação do parlamentar de Caruaru, bem como a do prefeito, vice-prefeito e secretários, que receberam um grande presente de Natal: um bom aumento da base governista da legislatura municipal em vigor. Um dos edis afirmou que é a favor de todo o tipo de aumento, e esse teve a coragem de falar o que todos os que votaram a favor queriam falar. Esses vereadores deveriam também defender um bom e maravilhoso aumento para o professor, para o auxiliar de serviços gerais, para o servidor da Destra e todos os demais servidores do município.

Mas estes mesmos edis poderiam afirmar que um aumento para os demais servidores poderia provocar um enorme impacto no orçamento municipal e os aumentos tão generosamente concedidos causam um impacto mínimo e que estão dentro do processo da legalidade, defendendo o infame aumento. É, os edis têm razão… Aumentar o salário do trabalhador, que labuta todo o dia mais do que o período legal de trabalho, não tem nada de mais, nem sequer é imoral, pois na nossa sociedade, herdeira de uma tradição escravocrata, explorar o trabalhador é normal; o que não é normal é que os ricos e poderosos de nossa sociedade deixem de ser ricos e poderosos.

Caruaru foi nesta semana o maior exemplo da crise moral e ética que assola a nossa sociedade. A falta de decência permeia os nossos meios políticos e, revestindo-se da capa de uma legalidade injusta, demonstra que a chibata não marca mais as costas dos escravos, já que ele é forro, mas marca a face de toda uma sociedade que paga imposto e trabalha muito, mas ainda é vítima da imensa desigualdade social que herdamos e fazemos a questão de perpetuar. Viva o Brasil! Viva Caruaru, terra da cultura e da propagação da imoralidade pública neste final de ano. Espero que daqui a quatro anos nos lembremos deste lamentável episódio.

*Rita de Cássia é professora e advogada


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro