12 de junho de 2012 às 08h00min - Por Mário Flávio

Ao ver, ler e ouvir as recentes declarações de artistas sobre nosso São João, coube-me a obrigação de tentar estratificar o que anda acontecendo com nossa principal festa.

Vi, estarrecido, o desabafo de artistas como Herbert Lucena, Azulinho, Tony Maciel e outros, cobrando uma maior caracterização dos nossos festejos ou tentando saber alguma explicação pelas ausências nos palcos. É verdade que nunca uma programação junina conseguirá atender todas as vontades dos indutores da criatividade caruaruense. Mas também é verdade que se o São João de Caruaru não pertence a Zé, Tony ou João, mas ao povo de Caruaru, também é verdade que a prefeitura e a Fundação de Cultura é que são responsáveis pelas novas descobertas artísticas que sobressaltam todos os dias no nosso circuito cultural, que (pasmem!) nunca recebem a visita dos seus diretores, segundo seleto grupos de produtores. E ai é que mora a diferença entre os gestores.

Não tenho nenhum receio de afirmar aqui que o sucesso que hoje recai sobre nomes como Valdir Santos, Herbert Lucena, Almério, Rogéria, Flor de Mandacaru, Forró Quentão, entre muitos outros, deve-se exclusivamente ao talento deles, mas aliados a outras ações. Só que uma dessas ações, muito bem pensada e fundamentada na descoberta de novos talentos, foi a ação concreta da Fundação de Cultura, então na gestão de Tony Gel, na promoção desses nomes de forma direta. Ou seja, contratando-os e dando a eles seus maiores desafios. Invariavelmente, estes novos astros da música local tiveram suas oportunidades nas festividades da Semana Santa, no Natal, mas, fundamentalmente, no São João. Nos festejos juninos é que desabrocharam para o grande público e puderam divulgar com mais força e entusiasmo seus trabalhos.

A ausência de talentos como Tony Maciel e Azulinho e muitos outros no São João, só realçam a falta de compromisso da atual gestão com o novo e a tradição. E não se trata apenas de insatisfação no meio musical. Porque será que não temos mais as exposições dos artistas plásticos caruaruenses? Porque não vemos mais as tradicionalíssimas apresentações dos bacamarteiros, resumidas agora somente a um desfile, que ainda inimaginável de se acabar? Porque até agora ninguém sabe que João do Pife e a Banda Dois Irmãos estão fora do São João?

Durante anos poderemos estudar que tipo de festejos juninos queremos oferecer ao mundo. De um lado, a permanente defesa dos princípios culturais, cujas raízes estão sedimentadas no cancioneiro típico das bandas de pífano e nos trios pé de serra, passando pelo vestuário invariavelmente caipira com sua tradicional camisa xadrez e calça remendada e parando nas ambientações recheadas de balões e bandeirolas. Do outro lado, está a indústria sem chaminé, que é o Turismo. Nele, a geração de emprego e renda, aliada à modernidade, com suas montanhas de ferro e plástico, buscam tão-somente a materialização de milhares de consumidores numa vitrine usada para vender a pujança financeira de nossa cidade e, porque não dizer, de uma região.

Nossa gestão fez o que parecia impossível. Pisou no terreno caudaloso da modernidade, sim. Mas jamais esqueceu as raízes da festa e sempre incentivou os novos talentos. O que acontece agora, com tantas reclamações e aparente amadorismo, é resultado de uma gestão que não tem nenhum compromisso com a realidade cultural do nosso povo.

Claudio Soares é ex-coordenador superior de ações culturais na gestão do prefeito Tony Gel e humilde conhecedor de gestão cultural.

Ao ver, ler e ouvir as recentes declarações de artistas sobre nosso São João, coube-me a obrigação de tentar estratificar o que anda acontecendo com nossa principal festa.

Vi, estarrecido, o desabafo de artistas como Herbert Lucena, Azulinho, Tony Maciel e outros, cobrando uma maior caracterização dos nossos festejos ou tentando saber alguma explicação pelas ausências nos palcos. É verdade que nunca uma programação junina conseguirá atender todas as vontades dos indutores da criatividade caruaruense. Mas também é verdade que se o São João de Caruaru não pertence a Zé, Tony ou João, mas ao povo de Caruaru, também é verdade que a prefeitura e a Fundação de Cultura é que são responsáveis pelas novas descobertas artísticas que sobressaltam todos os dias no nosso circuito cultural, que (pasmem!) nunca recebem a visita dos seus diretores, segundo seleto grupos de produtores. E ai é que mora a diferença entre os gestores.

Não tenho nenhum receio de afirmar aqui que o sucesso que hoje recai sobre nomes como Valdir Santos, Herbert Lucena, Almério, Rogéria, Flor de Mandacaru, Forró Quentão, entre muitos outros, deve-se exclusivamente ao talento deles, mas aliados a outras ações. Só que uma dessas ações, muito bem pensada e fundamentada na descoberta de novos talentos, foi a ação concreta da Fundação de Cultura, então na gestão de Tony Gel, na promoção desses nomes de forma direta. Ou seja, contratando-os e dando a eles seus maiores desafios. Invariavelmente, estes novos astros da música local tiveram suas oportunidades nas festividades da Semana Santa, no Natal, mas, fundamentalmente, no São João. Nos festejos juninos é que desabrocharam para o grande público e puderam divulgar com mais força e entusiasmo seus trabalhos.

A ausência de talentos como Tony Maciel e Azulinho e muitos outros no São João, só realçam a falta de compromisso da atual gestão com o novo e a tradição. E não se trata apenas de insatisfação no meio musical. Porque será que não temos mais as exposições dos artistas plásticos caruaruenses? Porque não vemos mais as tradicionalíssimas apresentações dos bacamarteiros, resumidas agora somente a um desfile, que ainda inimaginável de se acabar? Porque até agora ninguém sabe que João do Pife e a Banda Dois Irmãos estão fora do São João?

Durante anos poderemos estudar que tipo de festejos juninos queremos oferecer ao mundo. De um lado, a permanente defesa dos princípios culturais, cujas raízes estão sedimentadas no cancioneiro típico das bandas de pífano e nos trios pé de serra, passando pelo vestuário invariavelmente caipira com sua tradicional camisa xadrez e calça remendada e parando nas ambientações recheadas de balões e bandeirolas. Do outro lado, está a indústria sem chaminé, que é o Turismo. Nele, a geração de emprego e renda, aliada à modernidade, com suas montanhas de ferro e plástico, buscam tão-somente a materialização de milhares de consumidores numa vitrine usada para vender a pujança financeira de nossa cidade e, porque não dizer, de uma região.

Nossa gestão fez o que parecia impossível. Pisou no terreno caudaloso da modernidade, sim. Mas jamais esqueceu as raízes da festa e sempre incentivou os novos talentos. O que acontece agora, com tantas reclamações e aparente amadorismo, é resultado de uma gestão que não tem nenhum compromisso com a realidade cultural do nosso povo.

Claudio Soares é ex-coordenador superior de ações culturais na gestão do prefeito Tony Gel e humilde conhecedor de gestão cultural.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro