11 de março de 2013 às 15h40min - Por Mário Flávio

O partido a ser criado já vem enfrentando problemas que não são novidade. A idéia original da criação da REDE para atrair uma nata pensante da política e decepcionados e insatisfeitos com seus partidos a partir da discussão de temas de interesses comuns foi bem vista aos olhos de muitos, inclusive aos meus, pois, como já falei antes, estou nesta REDE desde seu início em 2011.

A REDE se alargou pelo país inteiro com milhares e milhares de atores políticos que opinavam, debatiam, tiravam dúvidas, acompanhavam iniciativas nas mais diversas áreas.
Tenho dito que a REDE está muito aberta e que isso facilita que o comando fique com pessoas sem uma identidade com o campo que ele mais atraiu que é a esquerda. Talvez como estratégia de ganhar visibilidade, acumular força política o mais rápido possível, os dirigentes da REDE tenham buscado esse caminho, semelhante ao que o PT buscou para consolidar a eleição de Lula.

Naquele momento histórico vendo a real possibilidade de chegar à executiva do país o PT cedeu onde foi possível, fechou com o PL a vice e quanto mais à liderança de Lula ia ficando mais evidente, mas lideranças (centro, direita, etc.) começaram a migrar para o partido “da vez”.
Parece-me ser isso o que está acontecendo com o grupo de Marina, vendo que ela foi muito bem votada na eleição para presidente que passou, e visando 2014, está aberto para receber de todos os recantos quem possa somar com a legenda, mas há sinais de desavenças internas que podem comprometer este ganho ou, dependendo do acerto das decisões tomadas o contrário, saírem fortalecidos.

Existem Coletivos Estaduais, entre eles alguns do nordeste, reclamando que a “carta de princípios do Movimento Nova Política” só serve para “os da ponta” e não para os “cabeças”, isso depois que esta semana o núcleo administrativo bloqueou os acessos e a criação de novos coletivos temáticos, o que ESTÁ causando a insatisfação geral dos Coletivos com relação aos rumos do futuro partido, reclamam que “Toda mudança tem que vir acompanhada de liberdade e caso não venha, não é mudança, é ditadura.”
Por outro lado, o PSOL estaria punindo filiados que estão ajudando na criação deste novo partido com uma Resolução que determina que sejam excluídos da vida partidária e não possam assumir cargo de direção na sigla, entre eles estão os vereadores Heloisa Helena (Maceió), Jefferson Moura (Rio) e Elias Vaz (Goiânia).

A contagem é regressiva, pois daqui a um ano, mesmo fora do calendário eleitoral oficial já estaremos em intensiva campanha presidencial e por enquanto os movimentos do PSB com Eduardo Campos, Marina Silva (caso seja oficializado a REDE) e mais candidatos seja do PSD, PSDB, DEM a ser definido estarão, cada um ao seu modo, propondo um projeto novo para o Brasil que convença a população e que se contraponha ao que está em curso do PT há uma década. Se isso não acontecer a previsão é que mais uma vez a onda vermelha inunde o país.

O ENÍGMA DOS 100 DIAS – A segunda gestão de Queiroz vai completando três meses agora e logo virá a avaliação dos cem primeiros dias. Não foi fácil iniciar o ano na pressão dos servidores demitidos, contas pendentes a fechar, vereadores não eleitos ainda não contemplados, obras lentamente se reerguendo, atos de greve de professores, equívocos em alguns pontos com o Legislativo, cobrança dos partidos aliados e mais cobrança ainda da oposição. Mas ao que parece novamente vamos ser surpreendidos com a gestão quebrando tabus. Já vemos aos poucos a máquina realinhando-se, as obras retomadas e perspectivas de muita coisa boa para a cidade. É preciso firmeza nas decisões, equipe bem alinhada, participação popular, vereadores cumprindo a vocação e demais órgãos governamentais e não governamentais somando esforços para uma cidade cada vez melhor.

POR MORADIA DÍGNA – Esta semana estarei participando da reunião com a Coordenação Estadual da União Nacional por Moradia Popular de Pernambuco, UNMP-PE aqui em Caruaru. O evento acontece de 14 a 17 de março no Hotel Eduardo de Castro e reunirá 20 dirigentes representantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e da UNMP-PE.

HUGO CHAVES – Eu estive em Recife (Refinaria Abreu e Lima) na assinatura de contrato entre as petrolíferas Petrobrás e PDVSA, 2005. Fiquei impressionado com a simplicidade, brilho e firmeza no olhar e sorriso de Chaves (tanto quanto Lula que estava junto e era presidente em exercício na época). Em seu discurso reportou-se a história de Abreu e Lima, general revolucionário que lutou junto com Simón Bolivar. O presidente venezuelano morreu na semana passada e deixa um legado para todos socialistas de fé, perseverança e ousadia. Um dia após sua morte, na 7ª Marcha a Brasília, promovida pelas centrais sindicais com 65 mil trabalhadores reunidos, os participantes (centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis) o homenagearam. Espero que o povo venezuelano saiba defender e manter suas conquistas.

“Por Cristo, o maior socialista da história, por todas as dores, por todos os amores, por todas as esperanças que farei cumprir com os mandatos supremos desta maravilhosa Constituição, ainda que custe a minha própria vida. Pátria, socialismo ou morte.”

Hugo Chaves – discurso de reeleição 2007.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro