13 de novembro de 2012 às 07h25min - Por Mário Flávio

O filme de Breno Silveira, “Gonzaga – de Pai Para Filho” tem seu maior destaque na relação conturbada entre pai e filho. Porém o que gostaria de destacar é o aspecto político-social do mesmo, tendo em vista o coronelismo como sendo a principal marca daquela época e num certo sentido comportamento predominante até os dias atuais fácil de perceber principalmente nos chamados “velhos políticos”.

No filme, talvez a cena que deixa esse tipo de comportamento mais explícito é a do enfrentamento do jovem Gonzaga com o coronel Raimundo Diolindo, pai da Nazinha. Os denominados coronéis chegavam a ser institucionalizados com patentes da Guarda nacional, o que facilitava o abuso de poder. Mostra Gonzaga servindo no exército e suas “malandragens” até sair da corporação.

A necessidade de condensar, resumir ao máximo, faz com que o filme não aborde outros momentos marcantes da época, mas não prejudica a qualidade do mesmo. Mas o velho Lua segue cantando e reportando a realidade nordestina através de suas canções de tristezas, alegrias e injustiças do povo nordestino.

Gonzaga não era necessariamente de direita, historiadores e uma fala dele no filme mostra que ele trabalhava para os governantes da época (ditadura) e conseguia com isso prover o sustento da família. Basta ver em algumas de suas canções que sempre que podia expressava seu protesto, como em “Vozes da Seca”, “Comício do mato”, “Marcha da Petrobrás”, “Nordeste pra frente”, “Nordeste sangrento”, “Pobreza por pobreza”, entre outras.

Em 1980 Gonzaga grava “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, em gratidão a Vandré por ter gravado várias músicas suas e para demostrar que não era reacionário, reforçando a tese de que fazia um trabalho profissional para os militares.
Gonzaguinha dava a impressão de trazer sobre si o sofrimento do mundo e havia quem o chamasse de “Cantor Rancor”.

No programa Flávio Cavalcanti, ao cantar “Comportamento Geral” (1973) Gonzaguinha escandaliza os jurados e vai em seguida detido para o DOPS. No filme tem a cena em que Gonzaguinha dedilha e canta esta música e Gonzagão vai ao seu quarto, discute por criar “músicas comunistas” chegando a quebrar o seu violão.

“Gonzaga – de Pai Para Filho” traz Land Viera (Gonzagão na adolescência), Chambinho do Acordeon (adulto), Adélio Lima (na velhice), Cláudio Jaborandy (o pai Junuário), e Júlio Andrade (Gonzaguinha adulto), um elenco novo porém dá conta do recado. O Adélio narra toda história e acaba se destacando em todo filme.

O filme permanece o segundo mais visto no momento no Brasil e o mais visto em Pernambuco. Será minissérie global no ano que vem e certamente vai projetar ainda mais nossa cultura nordestina e o talento dos atores de nossa terra.

RECONHECIMENTO – O ator Adélio Lima esteve hoje na sessão das 17 horas no Cine North Shopping assistindo o filme com companheiros de trabalho do Museu do Barro, amigos, outros convidados do segmento cultural da cidade. Adélio recebeu votos de aplauso do presidente da Câmara Lícius Cavalcanti e estará também sendo homenageado na terça-feira 13, na Câmara Municipal de Caruaru. Adélio também será recebido pelo prefeito José Queiroz de Lima e pelo governa Eduardo Campos.

A Secretaria da Criança e da Juventude – SCJ participou do II Encuentro Virtual Latinoamericano: Responsabilidad ciudadana. Caminos de incidencia política para la cohesión social. No encontro foi apresentada a experiência do programa Casas das Juventudes. O encontro é organizado pela Fundación Claritas. As Casas das Juventudes são espaços de participação social e vivência democrática que visa proporcionar um ambiente de múltiplas experiências como cursos, oficinas, cineclubes. O Programa já se encontra em 86 municípios. O governo pretende até o final do ano inaugurar mais sete Casas das Juventudes. Na semana passada a secretária Raquel Lyra inaugurou uma delas em Caruaru, no assentamento do MST em Normandia.

Juventudes políticas e do movimento social se unem para acelerar luta por mudanças no Brasil – Reunião histórica de movimentos, correntes e organizações de juventude de todo o Brasil estiveram desde quarta-feira 7, reunidos a esfera dos movimentos sociais e atingindo juventudes políticas e sociais: a Associação Nacional dos Pós Graduandos, a Consulta Popular, a União da Juventude Socialista, a Juventude do MST, a UNE, a UBES, a Juventude Pátria Livre, o Levante Popular da Juventude, a Juventude do Partido dos Trabalhadores, a Juventude Rebelião, a Nação Hip-Hop Brasil, as Juventudes da CTB e da CUT, a Rede Ecumênica da Juventude, a Marcha Mundial das Mulheres e o Barão de Itararé. O objetivo foi aumentar a interação, o diálogo e a unidade entre as organizações juvenis em favor do aprofundamento das mudanças no Brasil. Em 19 de dezembro está previsto um outro encontro nacional em São Paulo. No dia 20 de fevereiro a esperança é uma Plenária Nacional. E o objetivo inicial é a unificação de grande e variada uma jornada de lutas da juventude brasileira para o mês de março de 2013 com atos de rua e conscientização para sacudir o país.

REFLETINDO – “Por trás desta máscara há mais do que carne e sangue; por trás desta máscara há uma idéia, e as idéias são à prova de bala”. (filme V de Vingança)

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos. Cursa Serviço Social.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro