1 de junho de 2013 às 18h35min - Por Mário Flávio

A tarefa das mais árduas que a história de Caruaru terá que registrar em alguns anos, talvez uma década, ou quem sabe em uma próxima eleição tem nome chama-se “renovação”, e é de estrema necessidade ao cenário local. Algumas indagações são presentes, estarão presentes no roteiro que tentaram os historiadores confeccionarem sobre esta grande tarefa. Primeiro devemos nos perguntar que renovação é essa? Essa renovação estende-se a forma de fazer política junto à sociedade? Ou esta renovação é unicamente a recomposição de quadros velhos, dos decanos por novos quadros?

Qual seguimento da sociedade é justamente aquele se responsabilizará para que os “fisiologismos”, “clientelismos”, e os “cunhadismos”? Sejam superados e a democracia será vivenciada e sentida na polis como pensam os filósofos gregos clássicos pelo/para o povo. Não começo a reflexão pela primeira pergunta, mas pela penúltima, e cabe uma ressalva recomposição de quadros já existe, mas pelo que se percebe obedece à lógica das oligarquias locais, das relações de parentesco presentes em três, ou no máximo quatro sobrenomes. Alguns podem até retrucar política está no sangue. Eu não acredito, penso que política esta no terreno da competência, da transparência, do diálogo, do foco no bem comum.

Não sei, se para alguns é perceptível o conceito de “bem comum”, não só esse poderíamos mencionar os termos “carência”, “pobreza”, “marginalização”. Acho difícil para os que se banharam durante toda a vida nos palácios e estudaram nas mais sofisticadas escolas caruaruenses, entenderem na práxis do dia a dia, ou com sangue o que falo. Então se não é unicamente recomposição de quadros que regra é precedente a esta renovação?

Agora podemos responder as duas primeiras indagações, sempre comparo a “renovação” à arte de pintar, e digo mais “renovar” não é pintar um quadro do nada, nem muito menos dar as pinceladas quando o primeiro pintor desfaleceu; renovar é antes de tudo inaugurar um quadro novo, é pintar refletindo sobre as formas de pintura anteriormente concebidas para não cometer os mesmos erros dos pintores precedentes. E na pintura podem ser observadas algumas diretrizes: a inserção digna de todos(as), a preocupação social com todos(as), e a responsabilidade humana para com todos(as). Na verdade o pintor não pensa mais em si, deve antes negar as tendências vaidosas e renegar o ego. Para entendermos o que acabei de dizer, façamos as devidas trocas; o pintor é o político, o quadro novo é a renovação, a pintura é a prática política cotidiana.

Agora podemos perceber que renovação consequentemente inaugura um novo tempo, e neste novo tempo surgem os novos autores, mas quem são estes autores, ao melhor, atores sociais? Passemos a responder esta última pergunta, que na verdade é a extensão de nossa reflexão. Os atores sociais somos todos nós, eu e você. É urgente que possamos eu e vocês dar as condições para que surjam os “novos autores” que anteriormente falei; os responsáveis por inaugurarem uma nova arte. E estas condições e instrumentos serão dados quando a sociedade eu, você juntamente com todos, os seguimentos, entidades e movimentos repensarmos com honestidade e reponsabilidade, sem egoísmos ideológicos, sem as bandeiras intimistas; nas reais demandas da população e em nosso sistema republicano de representação política, conferindo a estes últimos a sua intrínseca relação e sua máxima importância.

E essas mudanças têm inicio, se encontram e são essencialmente urgentes a nível local, e não serão arregimentadas de cima para baixo. Como caruaruense coloco meus olhos com esperança na juventude que acredito ser com algumas ressalvas a grande responsável pelas mudanças futuras, só não acredito nos extremismos, nas ideologias ultrapassadas, também não acredito que as mudanças ocorreram pelas mãos dos órfãos de cidade, mas pelas mãos dos que amam Caruaru, cresceram entre estas ruas e sentiram no decorrer da vida as necessidades de nosso povo caruaruense.

Acredito que para que a juventude possa corresponder à altura a sua missão é necessário a primazia do diálogo no convívio democrático, a defesa das liberdades fundamentais do gênero humano, a construção de uma sociedade de respeito às diferenças de gênero, credo, etnia, cor e sexualidade, além da luta por uma pátria que tenha condições de conferir condições para que os sonhos de muitos brasileiros tornem-se realidade. E um Estado responsável para com temas cruciais como Educação, Segurança, Saúde.
É por isto, que acredito na juventude séria de nossa Caruaru, e acredito ainda mais que de mãos dadas, refletindo sobre a urgência deste projeto de renovação poderá ela fazer frente à dominação quase coronelística que exercem algumas figuras públicas sobre algumas localidades, e das iniciativas de restrição na participação de jovens nos tramites da política local.

Enquanto jovem mim confundo com as aspirações, os medos, as necessidades, os desafios que assim como eu, muitos amigos e colegas jovens já passaram ou passa. Sempre costumo dizer que no repertorio de minhas memórias, bem como a de muitos outros tenho como combustível motivador minha trajetória de filho de família simples, com um pé no sítio e o outro na cidade que teve seus doze anos de estudos em escola pública, é o primeiro dos filhos de minha geração na família a estar concluindo curso superior com grande esforço, ter orgulho de minha militância religiosa, estudantil, e comunitária isso nem os indiferentes poderão tirar.

Não sejamos despertados durante campanha, mas sejamos cotidianamente pintores de um novo amanhã político.

*John Silva – Estudante do 7º período de História pela FAFICA, líder estudantil do C.A de História, e líder comunitário do Severino Afonso em Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro