6 de abril de 2012 às 08h02min - Por Mário Flávio

Hoje, uma sexta-feira denominada “da paixão”, nada melhor para refletirmos um pouco sobre esse homem-Deus, exemplo e inspiração de vida para mim, como para muitos, e entendê-lo no contexto sócio-político de sua época, suas ações e reações, e sua atuação política dentro da sociedade de seu tempo, para que nos posicionemos também nos dias atuais.

Voltamos ao tempo de uma Palestina transformada em colônia e dominada pelos romanos, que tirava do povo seus bens econômicos, através de impostos, meio de exploração. Hoje somos explorados em forma de salário, cada vez menor em relação ao que precisamos. Naquela época a exploração ocorria nos impostos, que literalmente esmagavam o povo.

Neste cenário surge Jesus, filho de um carpinteiro do interior, e que também exercia esta profissão. Uma atividade muito explorada e desprestigiada. O Latifúndio predominava, pois a propriedade da terra na palestina, Judéia, Samaria, Galiléia, estava concentrada nas mãos de pouca gente, sendo a terra a riqueza principal daquela época, e a atitude de Cristo em relação à riqueza (não dinheiro e sim concentração) é critica. Ele vê que a propriedade da terra está muito concentrada e propõe a partilha (narra isso em muitas parábolas). Aqueles que se dizem seus seguidores (discípulos) têm de partilhar os bens, têm de entrar numa economia de partilha, de socialização.

Os sistemas de impostos eram dois: O romano (Debário, Produção e Circulação) e o religioso (Judaico: Dracma, Primícias e Dízimo).

Não havia dicotomia entre religião e política. A Igreja judaica era a sede do poder político, e o sumo sacerdote, o governante da nação. Então qualquer comportamento irreligioso era subversivo. Quando Cristo, por exemplo, cura num sá­bado e não observa as tradições, ele está ten­do um comportamento antipolítico. Vemos o quanto ele rompia com a ordem social porque para fazer política bastava praticar religião de uma outra maneira. Isso era política de oposição. Um aspecto interessante era o cultural, onde destacavam-se o Legalismo e o Messianismo.

E os partidos políticos?

Existiam três partidos políticos principais: Saduceus, a classe rica, o alto clero, os proprietários de terra (anciãos) totalmente pró-roma; Fariseus: classe média ascendente (os fariseus e os escribas controlavam a interpretação da Bíblia. Como saber é poder, eles estavam subindo na sociedade e adquirindo bas­tante postos no Sinédrio, dentro do governo Judeu). Eram os intelectuais do templo, advogados, copistas e teólogos. Fazia uma resistência pacifi­ca; Zelotas: rompe com os romanos e adota a prática da guerrilha, violência ar­mada; Outros paridos menores como os essenios, heroditas etc, e ainda o “povilhéu”, um povo sem organizações populares de base e que estava mais sob a dominação dos saduceus e dos fariseus.

E Jesus, pertencia a um desses partidos? Não. Não tinha programa político definido, como o tinham os Zelotes, os Saduceus e os Fariseus. Ele também não fundou uma corrente política que visasse diretamente o poder.

Sua base social eram os oprimidos e marginalizados daquela sociedade. Tem postura critica frente aos poderosos. Combatia os Escribas, Fariseus, os Sumo Sacerdotes e os Saduceus, bota pra correr os vendilhões do Templo, e declara o fim do Templo (sistema da época). Amaldiçoa a figueira, símbolo do sistema Judaico. Vindo após isso a ser levado ao tribunal, e condenado a morte na cruz.

Cristo foi um revolucionário profético. Ele veio implantar seu reino (valores e princípios de vida) e quem n’Ele crer e o segue além de vida eterna (aponta para o futuro) ganha uma nova cosmovisão de mundo. Desenvolve relação familiar com Ele, amando-o e adorando-o em ações práticas enquanto no mundo. A busca por uma sociedade mais justa começa com esta visão cristã que ao contrário do que muita gente pensa não aliena, antes nos torna mais conscientes e responsáveis no cuidado do planeta e nas relações com o próximo. Em vez do confronto e do ódio apostamos na confissão dos erros e na prática do perdão e no amor que se manifesta em ações na vida do próximo.

PSOL NA FITA

Na próxima segunda-feira, 9 de abril, Caruaru recebe Edilson Silva que preside o partido no estado. Silva será recebido num ato político logo de manhã, na Bodega de João Doutor no Shopping Difusora. Depois passará o dia sendo entrevistado por diversos órgãos e programas de imprensa da cidade. O pré-candidato ao cargo majoritário pelo PSOL em Caruaru é Fábio José. O PSOL participa com outros partidos do Movimento pela Nova Política, lançado em 7 de julho de 2011 e ganhou repercussão através de um emocionante discurso de Marina Silva.

EVANGÉLICOS

Já tem sido comentado na imprensa e repercute nas conversas sobre a chamada “força” do voto evangélico. São muitos pré-candidatos e pode ser que desta vez um ou dois deles possam chegar a Câmara. Entre eles, quem já se discompatibilizou do cargo na prefeitura (assessor do prefeito) foi Jaelcio Tenório. Tenório além de ter experiênca em outras eleições no passado, tem boa articulação com os pastores da cidade, com quem se reúne regularmente, e cresce na cotação.

FESTA DO PCdoB

Depois de alguns eventos, a comemoração final dos 90 anos do partido em nossa cidade foi adiada, a liderança estadual faz questão de comparecer.

Num dia como hoje

em 8 de abril de 1781 foi preso após delação Tupac Amaru, líder indígena rebelde do Peru colonial. É dele a frase: “Nós juramos lealdade a uma bandeira que nos despreza, honramos o homem que se nega a nos respeitar!”

Os pré-candidatos do PT

Além das pré-candidaturas já divulgadas de Herlon Cavalcanti, Djair Vasconcelos e Wilon, agora entra na disputa Eduardo Guerra. Vale ficar atento as conversas em torno dos votos do MAIS, tendência de Louíse Caroline e Elba Ravane, que tem um coletivo bem organizado e uma expressiva votação no pleito anterior para vereador. O apoio confirmado desta tendência a um dos candidatos será uma preciosa ajuda, por isso a liderança da mesma não se precipita e analisa com prudencia a questão. Outra tendência a confirmar apoio é a Articulação de Esquerda.

REFLETINDO: “O mercantilismo religioso, que crucificou Jesus, só acaba quando cessa a noção utilitarista das relações com Deus. Os vendilhões do templo, para se manterem, precisam de duas coisas: uma fé que funciona e um discurso conservador e moralista. O que transforma santuário em covil de ladrões? Duas pessoas: um lider ganancioso e um devoto interesseiro.” Ricardo Gondim


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro