29 de março de 2014 às 10h47min - Por Mário Flávio

Completados trinta e três dias de greve, o dia 26 de março ficou marcado neste movimento dos professores, não por aqueles que estavam presentes para negociar o fim da greve, mas sim, por uma única pessoa que não estava presente, mas que poderia mudar toda a situação. O prefeito de Caruaru. Como disseram os seus representantes na audiência, “nós não podemos negociar”, foi uma decisão deles? Não, eles eram apenas as pessoas da vez, da vez de dizer que só o prefeito decide. As duas últimas pessoas que tiveram essa incumbência, já não estão mais na prefeitura, um foi/ainda vai ser exonerado e o outro devolvido ao Estado por não ser o preterido. Triste sina de quem faz esta função.

No primeiro momento do dia, criou-se uma expectativa de que algo poderia mudar, mesmo depois de ter enviado diversas notas a imprensa informando que não iria mais negociar, a prefeitura mandou representantes a audiência. A promotora Silvia Amélia, conduziu a conciliação pedindo que os professores informassem sua pauta de reivindicações, em seguida, pediu para que os representantes da prefeitura falassem sobre os pontos levantados, e o que ouviu-se foi: “não negociamos sem que os professores voltem para a sala de aula”.

O que mais chamou a atenção neste momento da negociação, é que todos os problemas da educação, todos, são culpa dos professores. Explico, dissemos que queremos água potável para todas as escolas, para que os alunos possam beber e não precisarem mais trazer de casa, mas os representantes da prefeitura ratificavam, nós só negociamos se vocês voltarem. Negociar água para que os alunos possam beber? Condicionar uma condição essencial ao retorno dos professores?

Dissemos que as escolas sofrem de problemas de estrutura e que fios desencapados estão ao alcance dos alunos, e mais uma vez os representantes da prefeitura ratificavam, nós só negociamos se vocês voltarem. Negociar a exposição dos alunos a um acidente ou até mesmo a morte em um choque elétrico como citou a promotora? Condicionar a segurança dos alunos ao retorno dos professores?

Dissemos que a merenda precisa ser igual ao cardápio que é fornecido, e mais uma vez os representantes da prefeitura ratificavam, nós só negociamos se vocês voltarem. Negociar a alimentação dos alunos? Condicionar a alimentação dos alunos que muitas vezes só tem a merenda como único alimento do dia ao retorno dos professores?

Isso é negociar? As crianças que frequentam as escolas da rede municipal são realmente prioridade para o município? A audiência foi concluída, a negociação esperada não aconteceu, os alunos não terão água potável, ficarão expostos aos fios desencapados e não terão o cardápio correto da merenda. A prefeitura talvez não tenha percebido que o seu não, não era tão simples.

As condições dignas que nossos alunos precisam em uma sala de aula não poderiam estar na pauta de negociação da prefeitura, nem tão pouco condicionadas a qualquer fator, elas deveriam ser a prioridade absoluta de qualquer gestor, não caberia aos professores lembrar o que uma prefeitura tem que fazer, mas quando chegamos ao extremo de termos 2 secretários de educação comandando, alguém precisa gritar para cuidar das nossas crianças, porque eles não merecem ser tratadas como objeto de troca.

*Diogo Farias Fonseca é professor da rede municipal de Caruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro