29 de setembro de 2012 às 11h18min - Por Mário Flávio

Coluna publicada no Jornal Vanguarda

Apesar de ter mais de 500 anos, o discurso político no Brasil parece não ter chegado a todos. Discutir política ainda hoje parece ser algo restrito a determinado grupo social, formado por homens, em sua maioria, brancos, de uma cultura acadêmica mais elevada do que a da maioria da população. Mulher na política é algo novo, principalmente se esta mulher não for esposa, filha, neta ou ter qualquer vínculo de parentesco com um homem branco e da elite que sempre fez a política neste país.
As pessoas ainda teimam em defender o candidato a majoritária como se fosse um ídolo, um ícone a ser defendido contra o adversário, que é a representação do maligno. E mais uma vez o discurso político vai de “água abaixo” e é trocado por um discurso emburrecedor, partidário e sem um pingo de reflexão crítica. É esse discurso que dá margem às deformações da fala dos adversários, que são classificados como o bem e o mal, como se o adversário de palanque fosse o próprio satanás encarnado.

Na velha política brasileira, que se discute de tudo, da vida sexual dos candidatos às baixarias de família, fala-se sobre muita coisa, se ridiculariza e ironiza muita coisa, exceto o que de fato tem importância: o que cada grupo político representado na figura do candidato vai realizar a nível de políticas públicas para o desenvolvimento da cidade. Como ainda estamos vivendo o período de império da velha política, os momentos ricos de debates, de troca de ideias e propostas se convertem em rinhas e se a porrada não baixa para valer, chega quase lá.

Não sei os senhores e as senhoras, mas creio que devemos nos manifestar contra esta velha forma de fazer política, de discurso agressivo e vazio. Desejo discutir orçamento, políticas públicas para a juventude, melhorias nas áreas de saúde, segurança, educação, combate ao crime, entre outros assuntos importantes. Desejo saber como a minha cidade pode crescer, que tipo de investimentos pode chegar, o que vai ser o amanhã do meu povo. Quero uma política inteligente, de gente decente e preocupada com o desenvolvimento social. Cansei do discurso vazio. Nesta reta final de campanha, pedimos aos candidatos que respeitem os nossos ouvidos e deixem as Marias da Penha para os juristas, detendo-se no que é importante: Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro