15 de janeiro de 2013 às 09h25min - Por Mário Flávio

Desculpem senhores empresários e comerciantes. Desculpem senhores industriais. Desculpem senhores prestadores de serviço. Sabemos muito a importância dos senhores e senhoras na roda viva do desenvolvimento da nossa Caruaru. Mas, em 2012, não foram seus produtos maravilhosos que saltaram aos olhos dos seus ávidos consumidores. Este ano, a exemplo de outros que muitos de vocês mesmos desconhecem, foi de um cara da seara que afirmo ser a mais importante da cidade, a Cultura caruaruense.

E quis o destino que a personalidade do ano fosse um negro ator do bairro do Salgado e que sempre lutou para ser um bom homem e pai de família. Quis o destino que durante a sua vida adulta o Teatro fosse sua grande escola de vida e de talento. Quis o destino que o seu nome, Adélio Lima, estampasse uma produção cinematográfica que retratasse um dos nordestinos mais queridos do país.

Adélio Lima representa muito bem o estigma que a classe artística caruaruense produz há muito tempo. A eterna cegueira do poder público em abrir espaço, estabelecer políticas públicas para que outros iguais pudessem aparecer para o mundo. Ou não foi assim com outros, mesmo tendo participado de grandes produções Brasil afora? Não fosse a determinação pessoal de alguns, como Adélio, pareceria que o palco não brilharia nunca.

O filme Gonzaga – De Pai pra Filho, que teve mais de 2,5 milhões de espectadores nas salas de cinema e que a Globo exibe a partir de hoje como minissérie, merecia ser exibida em praça pública para que todos pudessem ver a grandiosidade não só de Luiz Gonzaga, mas o poder artístico que este caruaruense sempre teve e que só aguardava uma oportunidade. Talvez ele nunca mais faça cinema ou TV, talvez ele volte a fazer seu teatrinho básico no cada vez mais sucateado Teatro João Lyra Filho ou no Rui Limeira Rosal ou até mesmo voltará durante o São João, quando várias vezes lhe foi negada a possibilidade de exibir o mesmo talento de sempre.

Mas aí ele já terá mais uma história rica para contar, a de que, além de ter sido Cancão de Fogo, ele já foi o Padre, o filho do Coronel e tantos outros e que num dia inesquecível para ele e seus amigos e admiradores de sempre, ele foi o maior nordestino de todos. Evoé, Adélio! Que os deuses deem mais aos teus filhos do que o que tu encontraste. E que teu maior patrimônio, a sua integridade, nunca seja abalada por nada.

Ah. Já ia esquecendo… não peço desculpa aos políticos caruaruenses que ignoram ou usam como decoração nossa Cultura e nossos artistas. Ele viraram semideuses e esperam sempre que os adoremos.

*Claudio Soares é consultor de cultura e eventos e trabalha como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro