27 de maio de 2013 às 09h25min - Por Mário Flávio

Todos os anos ao ser lançada, a programação de nossa maior festa, o São João, vira polêmica. Seja pela quantidade de dias, espaços utilizados (ou não), estrutura entre outras. Porém, nenhuma dessas razões, mencionadas, geram mais discussões do que a grade de artistas contratados para o evento. O maior “problema” e a contratação, destes, por cachês altíssimos.

Geralmente, são bandas de forró estilizado, axé ou sertanejos; os queridinhos, a bola da vez na música popular brasileira. E, nesse contexto nossos artistas locais, expoentes do verdadeiro forró tradicional, discípulos de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, ficam de fora da programação.

Porém tenho uma visão diferente. De posse do jornal Extra, que circula essa semana, uma informação me chama a atenção: 83% da grade de programação do São João de Caruaru esse ano é composta por artistas locais, situação que me deixa bastante feliz. Mas, alguns reclamam. São artistas que ficaram de fora, pessoas comuns da sociedade (na maioria das vezes por pura politicagem) e alguns veículos de comunicação que segue o mesmo exemplo anterior. Mas, a bem da verdade, a programação não poderia se dar de forma contraria.

Sabemos que nossa Cidade é privilegiada pela quantidade de artistas. São tantos que seria impossível enumerá-los aqui. Como poderia um evento de apenas um mês comportar todos? Impossível! Entretanto, alguém pode dizer: e as bandas que só cantam músicas que faz apologia ao uso de bebidas alcoólicas, drogas e prostituição; não poderiam dar lugar aos nossos ilustres artistas, que cantam o verdadeiro forró? Seria muito bom se assim fosse, mas as coisas não são bem assim.

Uma festa do tamanho e da proporção da nossa, que não é mais nossa, é do Brasil. Infelizmente, não pode ser feita apenas com pratas da casa. E não me venham dizer que não é assim, não são as bandas que quem vem de fora procura, pois, não é verdade. Tenho amigos em vários lugares do Brasil e eles só acertam sua vinda depois que sai a programação oficial. Antes disso nada feito.

Diante dos fatos, creio ser inviável realizar um evento do porte do nosso com programação diferente da lançada. Pois, não somos mais os únicos a fazer a festa. Inúmeras cidades do Nordeste e até algumas do Sudeste copiam o nosso formato. Se não tivermos aqui uma “grade de peso”, certamente essas pessoas irão para outras cidades, pois, nelas tem. Basta olhar a programação. Levando consigo o dinheiro que poderia ser injetado na economia do município.

*Carlos Alexandre da Silva é servidor público municipal e autor do blog www.alexandredecaruaru.com.br


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro