8 de setembro de 2013 às 10h25min - Por Mário Flávio

Nos últimos dias a cobertura maciça da mídia e a troca de mensagens pelas redes sociais, criaram a expectativa de uma reedição dos protestos dos 0,20. Vários colunistas políticos, blogs, jornais e etc., clamavam que o dia 07 de setembro seria o momento de um novo levante popular que varreria o país de norte a sul, nos moldes dos protestos de junho.

Encabeçariam essa revolta urbana o Movimento Passe Livre, os Black blocks e outros tantos movimentos sociais. O clima criado era o do Pré-apocalipse, com os tradicionais desfiles de Independência sendo invadidos pelos manifestantes, dezenas de milhares, e já se falava até em conflito entre as forças armadas e os militantes.

Vários jornais de circulação nacional divulgaram inclusive que os partidos de oposição nacional estavam estimulando as suas Juventudes a engrossarem esses movimentos, para promover mais uma rodada de desgastes para a Presidente e para o PT, mirando as eleições de 2014. Seria o começo do fim.

Então com o palco montado nas principais cidades do país, era só aguardar o desenrolar dos eventos, porém a montanha pariu um rato. Em nenhum local do Brasil, apesar de atos de violência isolados, principalmente no Rio e em São Paulo, não chegaram nem próximo dos públicos dos protestos dos 0,20. O que aconteceu que desmobilizou os envolvidos nos protestos? Vários motivos explicam a fragilidade das mobilizações.

Bem o primeiro foi o próprio clima de terror criado pela imprensa, que afastou o grosso da população dos desfiles e dos atos públicos. Os pais que levaram seus filhos as ruas no primeiro semestre, evitaram expor suas famílias a batalha campal preconizada pela imprensa. Também interferiu no contingente a banalização, ou a massificação dos protestos. Essa repetição quase diária de atos de rua fez com que os mesmos perdessem o élan, o charme, ficou comum para a juventude, que preferiu curtir o começo da temporada de praia a ir pra rua.

Do outro lado também a militância da esquerda moderada, ligada aos partidos da base do governo, com as suas ausências desidrataram ainda mais a mobilização. Afinal são esses movimentos que possuem a mística, o apelo de juntar gente, de aglutinar. Entenderam que os protestos só serviriam para favorecer a direita tradicional, é melhor para eles ter uma presidente que eles discordem parcialmente, mas com quem tem pontos de identificação e diálogo, do que um que destoa totalmente de seus ideais.

E por fim a repressão praticada em vários estados da federação, inclusive Pernambuco. Sinalizando que os protestos são bem vindos, mas que os danos a patrimônio público e privado não seriam mais tolerados. Não seriam mais permitidos que minorias extremistas, paralisassem e sitiassem os grandes centros urbanos do país.

Chamou a atenção nesse momento à decisão da Presidente Dilma em comparecer ao desfile em Brasília, mesmo com o risco de confrontos. A Casa Militar sugeriu atrasar o retorno da Cúpula do G-20 para justificar a sua ausência. Porém Dilma em Brasília, e os governadores em seus estados, foram às comemorações, não recuando das suas obrigações como chefes de estado .

Durante a Segunda Guerra Mundial em 1941, com as tropas alemães ameaçando invadir Moscou, Stálin, que não é referência de humanidade para ninguém, mas que tinha uma percepção política ímpar. Recusou a sugestão de abandonar a capital e ainda mandou realizar os tradicionais desfiles em comemoração a Revolução Russa, ele sabia que tinha que tranquilizar a população num momento tão adverso, dar um senso de normalidade.

Demonstrando que apesar do risco, mantinha-se a esperança que dias melhores viriam, bastava apenas seguir confiantes no futuro e calmos no presente.Ao irem aos desfiles marcaram presença e delimitaram o território, não sendo pautados pela minoria anárquica, mas simbolizando a permanência, a estabilidade a continuidade em tempos de crise.

Tudo que se espera de um líder, que o mesmo sirva de farol, de inspiração, em épocas turbulentas, se os mesmos tivessem desistido de ir, se tornariam reféns das mobilizações e fragilizariam as suas imagens perante a sociedade. Porém diferente do restante do país, a montanha em Caruaru deu a luz a um mastodonte. Fato demonstrado pelo temor que assolou o executivo e o legislativo municipal as vésperas do feriado.

Apenas um simples protesto dos professores municipais forçou a ausência do Prefeito do tradicional desfile cívico, não só dele, mas também do grosso dos vereadores que não quiseram estar associados a essa pauta negativa. E olhe que em nenhum momento tivemos aqui na cidade sequer a menor possibilidade de manifestações violentas ou tumultos durante as mobilizações.

Com a sua ausência e silêncio o próprio Prefeito admite o peso do desgaste, é patente, é visível apesar das negativas. Demonstrando que já passou da hora de solucionar essa crise, de virar essa página e começar efetivamente o quarto mandato.

Afinal Caruaru não pode ter dois prefeitos, dois chefes do executivo. Um para recolher os louros da vitória, para as horas de bonança e outro para servir de saco de pancadas, de sparring bob, nos momentos de crise. Jorge Gomes pela sua história e trajetória não merece esse papel, ou essa deferência concedida por Queiroz.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro