27 de dezembro de 2012 às 08h55min - Por Mário Flávio

A participação da juventude nos meios políticos é uma questão de grande importância para os debates sociais e para fomentação de uma consciência política dentro da nossa sociedade. Na história brasileira os jovens sempre estiveram presentes nos principais acontecimentos sociais, basta olharmos para a resistência contra a ditadura militar e o processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Mas qual a participação dos jovens dentro de cargos públicos? E nos dias atuais o que a juventude representa em termos de renovação social?

​Em épocas de eleição é comum ver e ouvir slogans com candidatos que supostamente representam a juventude e a renovação das ideias políticas, mas será que estes jovens podem realmente ser chamados de renovadores? Será que a juventude política representa a juventude dos ideais? Ou é apenas uma continuação de velhas práticas dentro do antigo sistema? Perguntas como estas nos levam a refletir sobre a importância do surgimento de novas representações dentro do quadro político brasileiro, nos levando também a uma reflexão dos nomes que se apresentam como a modernização e a renovação dentro dos partidos atuais.

​Ao analisarmos os nomes dos candidatos que midiaticamente se apresentam como os renovadores da política, podemos ver que fazem parte de grupos que estão no poder a muito tempo, para não dizer famílias que monopolizam a política brasileira. Estes nomes podem representar a juventude em termos de idade, e a renovação em termos de rosto, porém as ideias e os projetos são necessariamente arcaicos, ligados umbilicalmente ao útero que proporciona o alimento ideológico que pouco se modifica.

​Podemos falar que a política brasileira passa por processos de modernização conservadora, que consiste em modernizar alguns segmentos, entretanto mantendo as bases que sustentam o poder. A renovação nos moldes que a vemos, não significa estreitamente que o novo será instaurado, mas sim que o antigo aparecerá com uma nova roupagem, uma nova máscara. Outro fator que não podemos negligenciar é que a maioria dos jovens não busca uma participação política consciente, da qual resultaria uma prática renovadora dentro da nossa sociedade. Uma imensa parcela da juventude vira as costas para as discussões políticas, para os debates sociais, abrindo espaço para a permanência dos velhos grupos que dominam o quadro político nacional.

​É necessário que a população tenha a consciência necessária para saber discernir entre os jovens que de fato representam a renovação, para os que são apenas novos rostos dentro do mesmo cenário. A juventude que vive as margens dos processos políticos também deve ter um despertar de consciência, que os faça compreender o seu papel dentro da sociedade, não apenas como massa de manobra para viabilizar a permanência de grupos que representam as práticas arcaicas, mas como agentes de transformação social, capazes de criar um novo cenário na política brasileira.

*Alan Marcionilo é Vice Presidente do DCE/FAFICA e Membro do Parlamento Jovem de Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro