2 de julho de 2013 às 08h25min - Por Mário Flávio

Como avaliamos o sucesso de um governante? Quais escreverão seus nomes na história de um povo, ou virarão meramente uma nota de rodapé? No Brasil tivemos até hoje 38 presidentes, mas apenas três conseguiram esse feito. Getúlio, Jk e Lula, galvanizaram a sociedade e gravaram seus nomes na memória coletiva. Todos tinham, e têm suas falhas, mas com suas ações provocaram grandes mudanças na sociedade brasileira. Getúlio com a formação do Estado Moderno e a CLT, JK com a industrialização brasileira e Brasília, e Lula com o desenvolvimento em bases nacionais e a sensibilidade social.

O que eles possuíram em comum, foi à capacidade de intuírem as demandas sociais, de anteciparem as pautas do país. De colocarem os seus governos na vanguarda da sociedade e não na retaguarda, agindo a reboque ou por pressão, arriscando assim a perder o bonde da história. Esses processos se repetem nos mais diversos níveis de governo, estados e municípios. Pois temos Prefeitos, com P maiúsculo e prefeitos com p minúsculo. Muitos apenas veem a banda passar sentados em seus gabinetes e são arrancados do poder pelos ventos das mudanças e arremessados ao limbo da história.

Em Caruaru temos uma situação extremamente confusa e honestamente até o presente momento, não consegui efetivamente entender o que se passa pela cabeça do Prefeito, nesses seus primeiros seis meses de governo. José Queiroz entrou para a história recente de Caruaru, quando no seu primeiro governo soube antecipar as necessidades da população e capitaneou uma série de ações que moldaram a Caruaru moderna. Montou um governo que foi referência na região do Agreste e em todo o Estado, criando uma profunda identificação entre a cidade e o seu governante.

Porém depois de 30 anos, o governo Queiroz virou uma caricatura de si mesmo, uma mera sombra do que foi e uma frustação do que nunca voltará a ser. Perdendo a capacidade de agir em consonância com os anseios do povo. E não adianta colocar toda a responsabilidade desse divórcio na Secretaria de Participação Social, pois embora essa capte as demandas, a decisão final de como usar as informações cabem ao chefe do executivo municipal. Num momento em que o país está em convulsão, principalmente com reivindicações por melhores serviços públicos, principalmente educação e saúde, o prefeito dá uma coletiva desastrosa. O que demonstra claramente as suas limitações em conduzir a cidade para o século XXI.

Embora o pronunciamento tenha sido guiado por seus assessores de imprensa, tentando colocar a sua gestão em consonância as vozes que emergem da maior mobilização popular nos últimos 20 anos. Na prática ao responder os questionamentos da imprensa, evidenciou o fosso existente entre a sua gestão e as mobilizações em curso, tanto em nível nacional quanto em nível local. Não há justificativa alguma para o teor da fala do Prefeito a respeito da crise atual na educação municipal. Ao taxar os professores de radicais e jogar o ônus do impasse nas negociações nos ombros da categoria. Afirmo que: a incompetência e mediocridade do secretariado municipal, a falta de transparência nas contas do FUNDEB, a intransigência nas negociações na principal questão, a financeira, é que geraram o impasse.

Como um governo que se diz moderno, trata seus professores ao arrepio da lei? O próprio prefeito afirma que é eminente o congelamento do salário dos professores efetivos, nos próximos anos, embora os recursos federais sejam reajustados anualmente. Que demonstração de compromisso com a educação há se ao invés de preencher as vagas com concursados se recorre ao velho recurso dos temporários?

O “novo” governo tem apenas seis meses, mas já dá infelizmente sinais de envelhecimento e de reincidência nos erros da gestão passada. Um governo autocrático incapaz de realizar uma autocrítica e promover uma correção nos rumos de suas ações. Talvez fosse necessário ao Prefeito no silêncio do seu gabinete procurar reencontrar o Queiroz de 30 anos atrás. Um governo tão marcante para a cidade, que ainda hoje a sua lembrança garantiu a reeleição apesar das falhas do último mandato, pois é por esse prefeito que Caruaru clama nas ruas.

*Mário Benning é professor do IFPE e analista político


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro