6 de janeiro de 2014 às 12h37min - Por Mário Flávio

Reportagem de Ricardo Perrier publicada no Jornal Extra

Engana-se quem pensa que o prefeito José Queiroz (PDT) não terá suas ações fiscalizadas ao longo de 2014, mesmo diante da incógnita em relação a qual será o posicionamento dos suplentes recentemente empossados na Casa Jornalista José Carlos Florêncio, em substituição aos vereados afastados por determinação judicial, por conta do envolvimento na Operação ‘Ponto Final’, desencadeada pela Polícia Civil, sob a acusação de cobrança de propinas para a aprovação de projetos de autoria do executivo.

O que começou no apagar das luzes do último ano como uma simples ideia de protestar contra os desmandos que vêm atingindo o Legislativo municipal, rompeu o novo ano ganhando uma proporcão ainda maior, agora com uma proposta bem mais abrangente, que abrange as ações desenvolvidas pelo poder público, seja o Executivo, Legislativo ou Judiciário.

Assim pode ser definido o ‘Observatório Popular’, criado por um grupo de caruaruenses, tendo à frente nomes como o empresário Rivaldo Soares e os sindicalistas Eduardo Mendonça (Sindicato dos Servidores Municipais de Caruaru/Sismuc) e André Salgado( Associação dos Mototaxistas de Caruaru/União dos Feirantes, Sulanqueiros e Ambulantes de Caruaru).

De certa forma, o ‘Observatório Popular’ chega com a proposta de se contrapor ao ‘Observatório Social de Caruaru’ (OPC), organização não governamental criada em junho de 2012, que reúne vários segmentos da sociedade, com a proposta de incentivar a educação fiscal, através do acompanhamento dos gastos públicos nas três esferas governamentais.

Apesar de quando do seu lançamento ter-se apresentado como um órgão ‘apolítico’, é justamente nesse ponto que a entidade recebe a crítica do ‘Observatório Popular’, até mesmo pela sua composição, tendo na presidência o ex-secretário de Educação, Esporte, Juventude, Ciência e Tecnologia no inicio da 3ª gestão do prefeito José Queiroz, o professor Paulo Muniz (Diretor geral da Associação Caruaruense de Ensino Superior) e na vice-presidência o contador Michel Jean (Presidente do Sindicato dos Lojistas de Caruaru) e o empresário Djalma Farias Cintra (Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Caruaru).

Na avaliação dos integrantes da entidade recém criada, a co-irmã, até mesmo pela ligação ‘sentimental’ de alguns dos seus membros com a atual gestão, não teria a independência necessária para investigar os gastos praticados pelo governo municipal.

Diante disso, uma das primeiras ações do ‘Observatório Popular’ será justamente fazer um levantamento minucioso de todas as licitações e contratos firmados pela atual gestão desde 2009, justamente o ano em que o prefeito José Queiroz deu início à sua terceira passagem à frente do palácio Jaime Nejain. “Há muito a ser esclarecido pela atual gestão, principalmente em relação aos gastos, até mesmo para que a população tenha conhecimento. Com o afastamento da bancada da oposição na câmara municipal, a população não pode sentir-se órfã, daí a importância do observatório social, que chega justamente para preencher essa lacuna, cobrando uma maior transparência da atual gestão, para que o município não seja lesado e saia prejudicado”, explicou Rivaldo Soares, um dos idealizadores da entidade.

Nesse caso, os integrantes do órgão asseguram que não vão deixar passar em branco algumas das questões levantadas pela oposição nas reuniões ordinárias na casa Legislativa, até então sem uma resposta convincente por parte do Executivo, algumas inclusive objetos de investigação por parte do Sismuc, que há quase um ano vem mantendo uma queda de braço com o Executivo, por conta da aprovação do polêmico projeto de implantação do Plano de Cargos e Carreiras (PCC) dos professores da rede municipal de ensino.

Como exemplo cita a denúncia feita pelo vereador afastado, Evandro Silva (PMDB), que questionou na tribuna da casa os gastos da prefeitura com a aquisição da merenda escolar oferecida aos alunos da rede municipal de ensino, principalmente em relação ao preço pago na compra da carne de boi e de frango, bem como a qualidade dos produtos oferecidos ao alunado.

Um dos principais alvos do ‘Observatório Popular’ será justamente o acompanhamento da votação do projeto de empréstimo solicitado pelo Executivo no valor de R$ 250 milhões para a implantação da linha do BRT (Bus Rapid Transit), pivô da investigação que resultou na Operação ‘Ponto Final’, que aguarda pelo agendamento de uma nova data para entrar na pauta de votação da casa Legislativa, após ter a histórica sessão ordinária do último mês de dezembro anulada, por determinação do juiz da Vara Pública do Município, José Fernando de Souza, atendendo uma ação impetrada no Ministério Público pelo empresário Rivaldo Soares.

“Desconfiamos que o valor do metro quadrado estimado pela prefeitura para o calçamento das ruas, conforme previsto no projeto de implantação da linha do BRT, esteja com o preço superfaturado”, alertou o empresário. Contudo, o BRT será apenas um dos projetos de autoria do Executivo que será alvo das investigações por parte do ‘Observatório Popular’, que estuda elencar pelo menos de 10 a 12 outros projetos encaminhados pela atual gestão, que necessitariam também de uma maior investigação, inclusive, se for o caso, até mesmo por parte do judiciário.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro