6 de outubro de 2013 às 14h25min - Por Mário Flávio

Do Correio Braziliense

A correria desenfreada e o balcão de troca-troca montado no Congresso às vésperas do término do prazo de filiações provocou algumas mudanças na radiografia do parlamento que poderão alterar o equilíbrio de forças do governo e as perspectivas eleitorais dos principais postulantes ao Palácio do Planalto no ano que vem. Embora ainda continue com maioria no Congresso, Dilma viu a base de apoio encolher para algo próximo dos 350 deputados, número pouco maior que o necessário para aprovar emendas constitucionais (308).

Dilma viu escorrer por entre os dedos os 22 deputados do PSB, que passarão a apoiar a candidatura de Eduardo Campos para o Planalto em 2014. Além disso, não tem certeza do apoio dos 19 parlamentares do PDT, já que o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, está conversando com diversos presidenciáveis. Mesmo tendo o controle sobre o Ministério do Trabalho, o pedetista deixa a porta aberta para apoiar o tucano Aécio Neves (PSDB-MG) ou o socialista Eduardo Campos (PSB-PE).

Mesmo assim, a base de Dilma ainda é quatro vezes maior que uma eventual coalizão em torno do candidato tucano e 10 vezes superior aos aliados do governador de Pernambuco. O Planalto tentou compensar algumas perdas trabalhando intensamente para inflar o Partido Republicano da Ordem Social (Pros). Criado sob as bênçãos de diversos ministros, como a titular das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. “O governo tem todas as digitais no Pros”, assegurou um petista que fechou aliança com a nova legenda para concorrer ao governo estadual no ano que vem.

Para tentar aumentar o poder de fogo do Executivo Federal, Ideli convidou na semana que passou o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, para uma conversa no 4º andar do Palácio do Planalto. Assegurou que os parlamentares da legenda — que já anunciou que apoiará o tucano Aécio Neves no pleito presidencial, não perderiam os cargos que têm no governo, já que boa parte deles integrava a coalizão governista antes da criação do partido. Paulinho se sentiu usado e disse ter se arrependido de ter comparecido à reunião.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro